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Capítulo 8: Desmascarados…

O temor cresce abundante no coração dos espectadores, os quais, com seus olhares trêmulos, somente observam o cadáver ao chão. Suas feições indicam nada mais e nada menos, do que o mais puro medo que se possa  imaginar, quando se trata da visualização da própria morte.

Impiedoso, o que já era esperado de seus subordinados, Darike abre um breve e frio sorriso de satisfação. Como se ao tirar aquela vida, estivesse degustando da mais divina das bebidas, que os lábios pudessem ter o prazer de desfrutar.

Abaixando a assassina mão, ele apenas acaricia o intrigante artefato, que certamente, estaria ligado à capacidade sobrenatural que possuía. E por alguns momentos permanece assim, quieto, mostrando-se pensativo e principalmente indeciso.

_ Este, é um alerta a todos vocês. Não existe lugar para os covardes em Ariggon. Apenas os fortes sobrevivem. – fala aos diversos ouvintes.

“Quem era aquele homem tão desprovido de misericórdia? E que capacidades teria adquirido com o tal anel?” Matutava Ryan, observando fixamente ao cruel general.

Seus olhos prosseguiam enigmáticos. “Quem seria sua próxima vitima?” É o que todos questionavam temerosos no inconsciente.

_ Chega de enrolação! Temos uma batalha a nossa frente! – brada, sem um pingo de paciência.

Sem pestanejar, a multidão desfaz-se rapidamente, levando consigo o corpo de um companheiro, restando assim, além dos dois rapazes, apenas o gigante inconsciente.

_ É claro que essas palavras não o incluem, Ryan. Mas… Ainda há uma coisa que me intriga. – comenta ele, pondo a mão sobre o queixo.

_ Se me permite a pergunta… O que general? – indaga o jovem, sentindo o coração pesar.

_ Como alguém tão jovem, conseguiu derrubar um ser dessa magnitude? – e desconfiado analisa o suposto guerreiro.

Ryan não sabia o que responder. Certamente, não poderia lhe dizer que fizera tudo isso, graças à ajuda do anel, que trazia em sua mão direita. Afinal, o que deveria  falar? Nada de convincente lhe vinha ao pensamento.

_ A explicação está no treinamento. Ryan desde muito criança, recebera rigorosas lições de combate. – afirma Dollenc, pondo naquelas palavras, toda a convicção e talento na arte de mentir.

_ Treinado… E qual o nome de seu tutor? – interroga novamente, buscando palavras contraditórias em meio às respostas.

_ Sebastian. – rebate o astuto jovem, sem dar tempo para que o amigo ao menos gagueje.

_ Se possível, gostaria de pessoalmente parabenizá-lo  pelo ótimo ensinamento.

_ Infelizmente… Não há como. Já que ele faleceu há algum tempo. – explica Dollenc, em um tom deveras triste.

_ É uma pena… Bem, neste caso, só posso lhes dar meus pêsames. – diz o general, parecendo estar finalmente convencido.

Ryan demonstra através de seus olhos, um certo receio quanto ao contentamento do general. Mas o que poderia fazer a respeito? Estavam cercados por inúmeros subordinados. E mesmo que o anel resolvesse auxiliá-los, o que sem dúvida seria um milagre, ainda teriam de enfrentar a misteriosa habilidade do objeto de Darike.

_ Peço que não leve em conta esse jeito acanhado de Ryan. Ele sempre foi de poucas palavras. – informa Dollenc, bagunçando os cabelos rebeldes do amigo.

_ Um guerreiro não é medido por suas palavras e sim, por suas ações.

O receoso jovem tinha de admitir que aquele homem, apesar de cruel, sabia usar as palavras de modo convincente.

_ E quanto a ele? – diz o jovem, perdendo finalmente o medo e apontando para a monstruosa figura estirada.

_ Vou deixar que se encarregue dele, afinal, o mérito é todo seu. –  e retira da bainha sua espada.

Entregando-a ao rapaz, Darike deixa claro que acabara de encarregar o herói em dar um fim à criatura. Enquanto Ryan, recebendo tal objeto, nota que o próprio resplandece de forma magnifica, mesmo em meio à noite.

Porém, dando-se conta de que terá de matar um ser, o rapaz simultaneamente estremece. Nunca em sua vida, fizera tal atrocidade e muito menos pretendia fazê-la agora.

_ Algum problema, jovem guerreiro? –  questiona, estranhando a demora.

Dollenc pensa em dizer algo para impedi-lo de prosseguir, mas isso certamente, faria com que o general desconfiasse novamente de ambos.

_ Vamos Ryan! –  encoraja o parceiro, lhe dando um empurrão.

Em alguns passos tímidos o rapaz se aproxima, do que, ou quem, será sua vítima. Levantando a afiada lâmina, respira fundo e tenta afastar de si, a culpa que já lhe toma o peito.

_ Acerte-o no coração. – ordena Darike friamente.

No entanto, antes que pudesse realizar a fatal ação, Ryan se vê interrompido por três figuras que adentram correndo e gritando, sendo que dois deles estavam semi-nus.

_ Espiões! Farsantes! Alertem ao general! –  exclamam respectivamente os três indivíduos.

Percebendo que estão prestes a serem desmascarados, ambos os rapazes empunham as armas rapidamente.

_ Ali estão eles! Farsantes! –  indica o de maior porte, ao ver a armadura mal vestida em Ryan.

Darike permanece imóvel, sem entender o que acontece. E aproveitando-se da distração, Dollenc sem pensar duas vezes, investe com sua arma no tirano.

Instintivamente o homem levanta a mão contra o rapaz, que parando na mesma hora, sente que algo o aprisiona e posteriormente  lança-o ao chão. Por vários metros é arrastado, tendo assim, alguns ferimentos leves, até que, ao alcançar uma certa distância, para.

Os soldados se aproximam do general. E Ryan com a espada ainda em mãos, fita o anel de Darike.

_ Parado! –  ameaça uma voz dentre a multidão, enquanto inúmeros instrumentos de batalha apontam para ambos os rapazes.

_ Não se mexa! Ou então, ele morre! –  diz um dos soldados, aproximando sua lâmina do pescoço de Dollenc.

Não havia nada a se fazer. Um movimento brusco poderia custar a vida de seu amigo. A rendição parecia ser a unica opção satisfatória. E percebendo isso, Ryan deixa a espada cair ao solo, em sinal de derrota.

_ Não tolero espiões! Matem-nos e deem seus corpos a Taruckie! – brada em meio ao ódio.

Obedecendo imediatamente, eles investem pra matar. Contudo, uma sombra toma o lugar, assim como uma respiração estrondosa, que chega a chacoalhar as poucas vegetações rasteiras.

O gigante despertara. E agora mais irado do que nunca. Enquanto Darike, apenas o observa sem esboçar qualquer sentimento, seja de medo ou pânico.

Um grito de fúria deixa seus imensos lábios, que mais parecem os portões de um abismo a se abrirem, formando uma rajada de vento, a qual, rapidamente derruba grande parte dos homens.

_ Levantem! Eu quero esse gigante no chão! E os intrusos mortos! Ou pagarão com suas miseras vidas! –  berra, exaltando-se ao máximo.

Numa bofetada, a criatura esmaga duas das centenas de miniaturas a sua vista. Enquanto Dollenc, se levanta e apressando-se corre em direção ao amigo. A medida que Ryan empunha novamente a espada.

Todavia, Darike não tem a miníma intenção de deixá-los partir e tomando o equipamento de um de seus homens, investe contra o espião. Que ao identificá-lo, esquiva-se a tempo.

Dollenc aproximando-se, tenta ajudar o amigo. No entanto, logo sente que alguém lhe imobiliza e com grande força, o aperta para que não se mexa. Este, era o mesmo que os rapazes haviam tido tanto trabalho para carregar.

_ Quero minha armadura de volta! –  diz o outro semi-nu achegando-se com a lâmina em mãos.

_ E eu vou esmagar aquele nanico que me derrubou! –  comenta uma voz grossa, segurando ainda o cativo.

Adiantando-se, o imobilizado rapaz, usa de suas pernas para disferir um golpe naquele que vinha assassiná-lo e posteriormente tenta cabecear o grandalhão, mas sem sucesso, já que o mesmo o apertara com mais força.

Ryan e Darike cruzam as espadas num único e certeiro ataque. Entretanto, suas forças não são as mesmas, já que o anel, mais uma vez falhara com seu usuário, propiciando a queda do jovem.

O gigante, finalmente localiza o ser que lhe fizera desabar momentos antes. E em total fúria, lança seu punho para esmagar tudo ali.

Vitorioso, o impiedoso homem apronta-se para cravar a espada no jovem que está caído a sua frente, mas voltando-se ao céu, percebe o grande membro que desce brutalmente.

De maneira rápida, o general estende a mão em defesa de sua própria vida. E no mesmo instante, todos ouvem um estrondoso impacto acontecer.

O punho da criatura está parado no ar e Darike mostrando finalmente alguma dificuldade, permanece concentrado em conter aquele que pode ser, o fim de sua existência.

Com os olhos fixos naquela impressionante cena, o grandalhão se distrai de seu objetivo anterior. E aproveitando-se da oportunidade, Dollenc crava seus dentes no asqueroso e peludo braço do oponente, fazendo-o urrar de dor e libertar o astuto refém.

Na mesma hora, o rapaz corre em direção ao amigo e ajudando-o a se levantar, aponta o caminho da fuga.

Ambos correm para a liberdade, enquanto Darike se preocupa em bloquear o colossal ataque.Contudo, notando a ausência de seu adversário. O mesmo repara os dois indivíduos que já se encontram há uma certa distância.

Inconformado, utiliza a mão livre na tentativa de trazê-los de volta ao campo de batalha. E para sua satisfação, o mesmo, conseguira aprisionar um dos fugitivos, em sua estranha habilidade.

_ O que houve Ryan? Por que parou? – questiona ao amigo, ao vê-lo ficando imóvel para trás.

_ Não consigo me mexer! Tem algo me impedindo! – exclama desesperado.

Darike parece estar chegando ao limite de suas sobrenaturais capacidades. O gigante aparenta estar disposto a aplicar toda a força para conseguir atingi-lo. E Ryan, incapacitado, tenta ao máximo prosseguir em sua fuga.

“Não sei como você funciona, mas preciso que me ajude” Suplica mentalmente ao anel. Como em imediata resposta, sente encher-se de uma misteriosa, mas agradável energia. E utilizando da mesma, esforça-se em escapar.

Num único e decisivo movimento, o jovem lança seu corpo para frente. Libertando-se da invisível força exercida pelo artefato do oponente.

Insistente, o enfurecido general, tenta novamente paralisá-lo. Contudo, só consegue remover-lhe    a luva direita, juntamente com sua preciosa espada. Deixando à mostra um objeto circular, o qual, emanava um intenso brilho dourado.

_ Não pode ser… Um dos anéis… – sussurra exausto.

Dollenc puxa o amigo para dentro da floresta, onde logo são perdidos de vista.

As espadas tentam combater o grotesco ser, mas sua fúria e resistência são muito maiores do que os gumes das lâminas, que sem sucesso, aplicam inúmeros cortes nos pés da criatura.

Agora, podendo utilizar-se de suas duas mãos, Darike empurra o punho de volta ao céu, o que consequentemente, provoca o recuo do gigante. Posteriormente, fixa seu olhar e força numa das grandes toras que seriam usadas como lenha. E num esboço final de poder, lança-a contra o coração da criatura.

Um esguicho violento de sangue banha diversas das armaduras e um derradeiro berro ecoa, anunciando a morte do imenso adversário.

Árvores tombam, a poeira sobe e um estrondoso barulho avisa. O gigante tivera sua segunda e ultima queda.

Enfim, Darike consegue respirar aliviado, ouvindo os brados em sua homenagem. Entretanto, sua face não demonstra qualquer satisfação. E tudo o que o mesmo faz, é olhar sua espada próxima a luva de Ryan.

Silencioso, ele caminha em direção aos objetos, apanha a arma e  guarda-a na bainha.Posteriormente, segura a parte da armadura deixada e relembra do brilho da esplendorosa joia.

Insatisfeito por não tê-los impedido, soca o solo, transmitindo assim, sua evidente raiva.

_ Senhor, vamos atrás deles? – pergunta um receoso soldado.

_ Não, temos assuntos mais importantes a tratar. Reúnam-se e sigam-me até Alkalia. – ordena decidido.

Entendendo a decisão, o subordinado sai imediatamente, deixando seu comandante aos seus próprios pensamentos.

Já distante dali, os rapazes ainda correm desesperados. Seus corpos avançam dentre a mata fechada e sem saber ao certo que caminha estão tomando, prosseguem em disparada, buscando afastarem-se do perigo.

_ Acha que ainda estão nos seguindo? – pergunta Ryan, enquanto corre.

_ Não sei… Mas é melhor não arriscarmos… – responde ofegante.

Após muito fugirem, finalmente resolvem descansar. Procuram por um local seguro das vistas do inimigo e achando uma série de arvores ocas, os mesmos, adentram uma delas.

Esta, era grande e volumosa, suas raízes secas estavam a mostra. Certamente, havia tombado há muitos anos, pois sua estrutura estava em parte decomposta. Todavia, poderia servir de abrigo, ao menos para aquela madrugada.

_ Dollenc? – chama Ryan, sem qualquer sinal de sono.

_ Hum… O que é? – responde, sentindo os olhos pesarem.

_ Viu o que aquele general pode fazer?

_ Sim. Mal posso esperar pra que você saia por ai, jogando coisas também. – ironiza com um sorriso exausto.

_ Estou começando a achar que os anéis são diferentes… E você?

_ Não tenho a miníma ideia, mas se forem, vamos dar um jeito de encontrá-los assim mesmo.

Um momento de silencio paira no ar e só se ouvem o cantar dos grilos. Incontestavelmente, Darike tinha um dos anéis e com ele conseguia fazer feitos incríveis. O objeto parecia obedecê-lo de boa vontade, ao contrário de Ryan, que mal sabia qual eram as reais capacidades de seu anel.

_ Agora que eu me lembrei, você estava bêbado. – comenta dando uma risada discreta.

Porém, seu amigo nem sequer lhe respondia, seus olhos estavam fechados e sua mente viajava no mundo dos sonhos.

_ Boa noite… – diz compreendendo o cansaço do companheiro.

Sem demora, o sono lhe toma também e ambos agora desfrutam de seus próprios devaneios.

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Deixando as armaduras de lado, os jovens agora caminham depois de um revigorante descanso. Nunca estiveram tão perto da morte e ao mesmo tempo com maior fervor no coração.

_ Se precisamos daquele anel, então uma certa hora teremos de arrancá-lo de Darike, não é mesmo? – questiona Ryan, já imaginando a morte certa.

_ Sim… Mas vamos nos preocupar com ele mais tarde. Afinal, ainda devem existir outros por ai e certamente, mais fáceis de se conseguir. – conclui Dollenc.

_ Se eles fossem tão fáceis, já teriam passado pela mão de muita gente… – rebate o jovem pessimista.

_ Como você reclama, hein? Se até um cabeçudo como você achou um, então não teremos tantos problemas assim. – contra-ataca em meio a um sorriso irônico.

As palavras ditas pelo amigo, serviram para germinar uma pergunta na mente de Ryan. ” Por que este anel estava em sua cidade e não em Casdia, como todos os outros?” Indagava a si mesmo intrigado.

_ Hey! – diz Dollenc, tentando chamá-lo de volta à realidade – Não se preocupe com Darike, eu mesmo irei retirar-lhe o anel! – e bate no peito rindo.

_ Quero ver o que você vai fazer contra a Telecinesia dele. – e já pensa nas varias maneiras do amigo ser trucidado.

_ Tel… O que? – pergunta, sem entender bulhufas.

_ Telecinesia é a capacidade de mover os objetos sem tocá-los. Tipo a Jean Grey do X-Men.

_ Jean? X-Men? Cara, do que você está falando? – e confuso coça a cabeça.

_ Bem… É coisa de onde eu venho. – e sorri discretamente.

Dando um empurrão em Ryan, o rapaz ri da estranheza do mesmo. Mas seu sorriso logo dá lugar a um expressão de surpresa.

_ O que foi? – pergunta Ryan ao vê-lo naquele estado.

Sem dizer uma palavra, Dollenc aponta a causa logo a frente. A bera dum riacho pouco adiante, há uma garota, por sinal desacordada.

_ O que ela está fazendo aqui? – indaga Ryan surpreso.

Dollenc pelo contrário, aproxima-se para observá-la melhor e vendo que a mesma ainda respira, analisa-a de cima a baixo.

Seus cabelos longos e loiros tornam sua face deveras angelical, seus lábios robustos e vermelhos transmitem a cor intensa do amor. Enquanto suas roupas molhadas, deixam claro que aquele belo ser, havia estado até instantes atrás, na água.

_ Quem é ela?

_ Não faço a miníma ideia. Mas ela é linda! – comenta Dollenc, totalmente fascinado pela beleza da jovem.

_ Parece um anjo… – afirma sem jeito.

De repente seus olhos se abrem, mostrando finalmente o verde intenso que possuem. Estes, parecem confusos e aos poucos retornam à consciência. Enquanto seus lábios, umidificam um ao outro.

_ Ela está acordando! – fala sentindo o coração bater mais forte – Olá, eu me chamo Do… – Mas antes que pudesse terminar, sente seu nariz golpeado.

A jovem havia lhe aplicado um soco. Posteriormente, retirou do surpreso rapaz a espada e com ela ameaçava avançar contra ambos.

_ Calma! Não vamos te machucar! – explica Ryan, tentando acalmar a desconhecida.

_ Quem são vocês? O que querem comigo? – exclama totalmente desconfiada.

_ Só queríamos lhe ajudar! Ai meu nariz! – urra Dollenc, sentindo-o inchar.

_ Dollenc, ela tem um anel! – e aponta para a jovem.

Era verdade, aquele se parecia muito com o de Ryan. “Mas o que estaria fazendo com ela? E o que a mesma poderia fazer usando-o?” Pensavam ambos os rapazes novamente surpresos.

Continua…

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