Capítulo 6: A médium de Geedeon…

O coração bate acelerado e os pulmões trabalham ao máximo na esperança de obter algum ar que seja. A morte lhe parece próxima e não lhe resta nada o que fazer, senão, aguarda-la em meio ao desespero.

Confuso, Dollenc o observa definhar. Será que seu destino é perder todos aqueles dos quais se aproxima? Seus pais, o velho Sebastian e agora o estranho amigo?

Voltando a raciocinar, deixa seus pensamentos e duvidas sumirem no subconsciente. Afinal, cada segundo de demora é um momento a menos para salvar Ryan.

O veneno voraz lhe percorre o corpo, que em resposta luta incessantemente pela vida e como resultado de tal batalha a dor cresce cada vez mais.

_ Calma, não vou deixá-lo morrer – diz Dollenc o pondo sobre as costas.

Embora Ryan fosse quase de seu tamanho, ele o levava sem problemas. Sua estadia nas minas lhe servirá para construir braços fortes e resistentes, assim como o treinamento que fizera sozinho em busca de se tornar um guerreiro.

Determinado prosseguia pelo caminho, o qual tinha certeza de que o levaria até o vilarejo de Geedeon. Um lugar calmo e pacato onde ficou por alguns meses depois de fugir pela primeira vez.

Talvez pudesse encontrar um ministrador de antídotos, afinal, nesse tempo em que saiu dali muita coisa deveria ter mudado.

Notando que o companheiro está quieto, Dollenc já cogita ter de enterrá-lo também. No entanto, verificando sua respiração constata que este está apenas inconsciente.

A determinação do jovem em ajudar o companheiro, de certa forma lhe dá mais garra para prosseguir até seu objetivo e em pouco tempo já avista as varias casas humildes de Geedeon.

Tudo parecia estar exatamente como no passado, porém aquelas pessoas alegres e hospitaleiras que antes conhecera, agora possuíam em seus olhares somente a tristeza.

Alguns curiosos comentam sua chegada, outros apenas o observam, porém Dollenc sem se intimidar pelos olhares resolve pedir por informação.

_ Vocês tem algum ministrador de antídotos aqui? – e os olha esperançoso.

Eles apenas cochicham entre si, como se desconfiassem da aparição repentina.

_ É o meu amigo, ele foi picado por uma cobra e está passando mal – explica-os colocando Ryan no chão.

Uma mulher dentre a multidão se aproxima e ainda que temerosa, examina o rapaz deitado. Após alguns instantes se levanta e voltando ao local de onde saiu lhe da sua opinião.

_ Não há nada o que fazer, ele morrerá em pouco tempo. – Diz ela ao jovem desesperado.

_ Como assim? Você só deu duas ou três olhadas. Como pode estar tão certa disso?

_ Não há ministrador de antídotos aqui, o mais próximo fica a dois dias de viajem e até lá seu amigo já estará morto. – responde-o decidida.

_ O que… Dois dias… Mas deve haver outro jeito! – reluta Dollenc.

_ Pode levá-lo até Éden. – sugere um homem se aproximando.

_ Éden? Quem é? – questiona-o já esperançoso.

_ Aquela charlatã! Essa tal de Éden só sabe enganar os tolos como você! – implica uma mulher que parece saber do que fala.

_ Talvez ela possa ajudá-lo, ouvi dizer que ela tem dons incríveis! –comenta outra voz na multidão.

_ Desde quando enganar trouxas é um dom? Ela passa de lugar em lugar ludibriando o povo para conseguir dinheiro! – afirma outra pessoa.

Um grande tumulto se forma. Alguns a favor da famosa mulher, outros a apontando como serva do próprio demônio.

Dando-se conta de que a discussão não o levaria a lugar algum. Dollenc se adianta e puxa de lado o homem que lhe aconselhara.

_ Por favor, nos leve até essa tal de Éden… – e coloca o amigo novamente nas costas.

_ Tudo bem, siga-me. – e adentra um beco qualquer.

O homem permanece em silêncio, enquanto guia-o por entre as estreitas passagens.

Um odor pesado toma conta do lugar, contudo, sem dizer nada Dollenc continua seguindo-o.

Instantes depois o velho aponta o que parece ser uma tenda montada às pressas. A qual era feita de madeira e recoberta de panos de diferentes tonalidades de cores.

_ Bem, boa sorte com seu amigo – diz o senhor se despedindo.

_ Obrigado – e já se apressaem levar Ryanao local indicado.

Adentrando ao misterioso ambiente, logo se depara com vários frascos com coisas das quais nunca havia visto, enquanto o cheiro forte de incenso impregna seu nariz.

Ryan volta a passar mal por alguns momentos, mas logo retorna ao seu estado anterior.

_ Tem alguém ai? – pergunta Dollenc pondo o amigo no chão.

O silêncio é quebrado por um barulho, o qual lembra moedas caindo e logo uma mulher deveras atraente aparece em meio à escuridão.

Seus pulsos recobertos de adereços combinam com o lenço cintilante que traz em seu pescoço, assim como seus olhos pretos e penetrantes contornados por uma sombra purpura, tornando-a ainda mais atraente.

_ Desculpe ir entrando desse modo, mas me disseram que a senhora poderia me ajudar. – explica Dollenc sem jeito.

_ Depende… No que necessariamente eu posso ajudá-lo meu… Belo jovem? – pergunta a mulher se aproximando cada vez mais.

_ Errr… Eu preciso que… Que… – porém ao vê-la ao seu lado e acariciando os seus braços não consegue responder.

_ Qual o problema? Está tão… Tenso. – e massageia seus ombros robustos.

Dollenc parecia hipnotizado pela estranha. Tudo com o qual estava preocupado tinha perdido a importância e o que lhe interessava naquele momento era admirar aquele belo ser.

No entanto, ao olhar rapidamente ao chão percebe o amigo que permanece desacordado e lembrando-se do motivo de estarem ali seguras às mãos da carinhosa anfitriã.

_ A ajuda não é pra mim e sim pra ele. – e aponta o rapaz.

_ Certo… Vejamos… – e ainda que meio decepcionada, se encaminha até Ryan.

_ Ele não tem muito tempo, foi… – mas ela o interrompe.

_ Picado por uma cobra, entendo…

_ Como sabe?

_ Eu sei de muita coisa… Dollenc… – e sorri sem perder a sensualidade.

Os boatos parecem ser reais e o jovem ansioso aguarda que a mulher termine de examinar seu amigo.

Suas mãos percorrem o corpo de Ryan e sem mesmo tocá-lo parecem desvendar sua alma.

_ Hum… Que pena… – e se levanta.

_ O que foi?

_ Meu antídoto para a espécie de cobra que picou seu amigo acabou… – e pega um por um os frascos do lugar.

_ Acabou? Mas e agora?

_ Bem… É uma pena mais… Aquele admirável jovem está perto da morte. Deve ter mais um minuto de vida e olhe lá.

_ Disseram-me que você poderia ajudá-lo, deve haver algo que possa fazer.

Com um sorriso malicioso, a mulher analisa Dollenc e por alguns instantes ele consegue até imaginar seus pensamentos sujos.

_ Vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada… Lindinho – e pincela o dedo na boca do visitante.

Se abaixando novamente, coloca as mãos sobre o rapaz e fechando os olhos recita algumas palavras estranhas.

Contudo, antes que prosseguisse, é interrompida por um brilho dourado que percorre a mão direita de Ryan e logo se espalha por todo o corpo.

_ O que você fez? – pergunta impressionado.

_ Nada! Eu nem sequer cheguei a tocá-lo. – reponde-o perdendo finalmente a postura sensual.

A estranha fonte de luz que cobre o corpo do rapaz ilumina o local e receosa a mulher se afasta do mesmo. Após alguns instantes o clarão cessa e Ryan finalmente desperta já recuperado.

Ainda que atordoado, se levanta do chão de terra, causando espanto a ambos que o observam.

_ Ryan? Está tudo bem? – pergunta Dollenc.

_ Hã? Acho que sim… – responde-o tirando a terra dos braços.

_ Mas o que está havendo aqui? Deixe-me ver seu ferimento rapaz. – ordena ela estendendo sua mão.

Ryan resolve atender ao pedido da estranha e se aproximando levanta a manga da camiseta. Entretanto, a marca de mordida que antes se alastrava pelo seu braço e o fazia inchar, agora não passava de uma pequena e quase imperceptível cicatriz.

_ Mas o que significa isso. Não pode ser… – sussurra ela espantada.

_ Hey Dollenc, onde estamos? – e observa os vários objetos estranhos ao seu redor.

_ Um vilarejo chamado Geedeon e essa mulher é uma espécie de… – mas não consegue achar um termo que defina a estranheza de suas habilidades.

_ Médium! – corrige-o – Mas, ainda não entendo como esse rapaz está de pé.

Os dois apenas a observam caminhar de um lado para o outro em busca de uma resposta para a recuperação de Ryan.

_ Como pode? A não ser que… – e analisa o rapaz de cima a baixo.

Aproximando-se novamente, ela o examina da cabeça aos pés e notando sua mão enfaixada abre um sorriso de entendimento.

_ Tire isso da mão.

_ Mas por quê? – reluta apreensivo.

_ Eu disse, tire isso de sua mão! – ordena certa de que a resposta está ali.

_ Não enrola Ryan, é só uma queimadura! – diz Dollenc agarrando a mão do amigo.

_ Espera, eu não quero. – e tenta pensar numa desculpa convincente.

Sem se importar com o que o rapaz diz, Dollenc retira a força o pedaço de pano sujo e se surpreende ao descobrir que há um anel ali, ao invés de uma marca feita pelo fogo.

_ O que… Será que é mesmo o que eu estou pensando? – exclama a mulher ao identificar o objeto.

_ É um anel… Ryan, por que mentiu pra mim? – pergunta o amigo sem entender nada do que se passa.

_ Um dos anéis… Achei que nunca chegaria a ver um deles – e sorri deslumbrada.

O silêncio toma todos os que estão ali, Ryan apenas tenta entender o que a estranha sussurrara, Dollenc permanece confuso procurando um motivo para que o amigo lhe esconde-se algo tão comum e a Médium continua imóvel admirando o artefato.

_ Isso explica tudo! Ora, mas eu não sabia que você estava com um deles… – e ri chegando mais perto.

_ Um deles? Não consigo entender do que está falando. – e observa a própria mão.

_ Ora, estou falando do anel que usa em seu dedo.

_ O que esse anel tem de mais? – pergunta Dollenc sério.

_ O que ele tem de mais? É só um dos mais preciosos tesouros que háem toda Casdia. Poracaso não sabiam disso? – questiona-os inconformada.

Ambos permanecem quietos e ela entendendo o desconhecimento dos rapazes, resolve explicar a situação.

_ Não há muito que se saiba sobre eles, mas cada qual dessas relíquias da o poder a quem os possui de fazer o inacreditável.

_ Espera um pouco ai, aquelas coisas estranhas que eu vi você fazendo, eram por causa disso? – pergunta Dollenc ao amigo.

_ Eu não sei… Acho que sim.

_ E como você o conseguiu?

_ Encontrei-o num buraco e tenho quase certeza de que foi ele que me trouxe aqui.

_ Aqui? Como assim jovem? – questiona a mulher.

_ Não sou de Casdia. Moro num lugar diferente chamado Hopewell. Mas não sei como voltar, entende? – e suspira conformado.

_ Hey, você nos disse que era uma… – comenta Dollenc tentando se recordar da estranha palavra.

_ Médium! – completa ela zangando-se.

_ Isso mesmo, não poderia ajudá-lo a descobrir qual é o caminho de casa?

Ainda que estivesse embravecida e perplexa com toda a situação que assistira, concorda em ajudar o perdido forasteiro. E colocando a mão sobre os próprios olhos, entra numa espécie de transe.

Aos poucos a temperatura do ambiente abaixa e vozes vindas do nada ecoam em meio ao local. Estas sussurram palavras estranhas, as quais parecem ser compreendidas pela mulher, que ao abrir os olhos, lhes lança um sorriso de entendimento.

_ A resposta para o caminho de casa está em sua mão, meu jovem. – E aponta o objeto em seu dedo.

_ Como assim, está no próprio anel… Não entendi nada.

_ Busque estes objetos e encontrara o que procura. Foi o que as vozes me disseram a respeito.

_ Essas “tais vozes” não poderiam ser mais claras? – pergunta Dollenc perdendo a paciência.

_ Não insulte o que não conhece rapaz! Eu sou apenas um instrumento que interpreta o que os espíritos têm a dizer. Se não quer dar ouvidos, não há mais nada que eu possa fazer. – e já indica a saída.

_ Espere! Peço desculpas pelo Dollenc. Mas você não poderia tentar entende-los um pouco melhor? – pergunta Ryan em tom de respeito.

_ Certo… – e volta a repetir a estranha ação.

Novamente as vozes surgem em meio ao ar gelado. Estas por sua vez parecem nervosas e chegam até mesmo a gritar. A médium sério apenas escuta o que as mesmas proferem.

_ Elas dizem… Que sua vinda até aqui não é um mero acidente… Dizem para você buscar os anéis e eles te mostrarão a saída.

_ E como encontra-los? 

_ Eles… Não sabem… A energia dos anéis impede que localizem seus paradeiros…

_ O que devo fazer quando acha-los?

_ Só pedem para que os reúna – responde ela aparentando pânico.

As vozes aumentam seu tom cada vez mais e os frascos que antes estavam imóveis, agora chacoalham, como se um terremoto atingisse o local.

Sem se importar com o que acontece ao seu redor, Ryan pensa no que mais deveria perguntar à mulher e tendo uma súbita recordação, decide qual a próxima pergunta.

_ Pergunte-os, qual o paradeiro de Alliel, filho de colonos – porém as vozes bradam enfurecidas.

Com o barulho infernal parecido ao de trovoes, os frascos se quebram e se espalham pelo chão. Uma rajada de vento levanta os tecidos que cobrem a tenda e assustados ambos os jovens se abaixam.

Voltando a si, ela respira aliviada, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo.

_ O que houve? – pergunta Dollenc se levantando.

_ Os espíritos se enfureceram com tantas perguntas. – explica-os ainda tremula.

_ Mas e quanto a minha pergunta final? – questiona Ryan segurando-a para que não caia.

_ Desculpe… Mas só pude ouvir uma palavra… Escolha. Faz algum sentido?

_ Escolha? Não, e pra você Dollenc?

_ Não faço a mínima ideia do que possa significar. Não pode pedir para que repitam a ultima parte?

_ Eles não são brinquedos! – e lhe aplica um cascudo. – Já abusei demais do conhecimento deles por hoje.

Desvencilhando-se das mãos de Ryan, se encaminha para dentro da escuridão.

_ Mas ainda tenho muitas perguntas – reluta ao vê-la indo.

_ Procure pelos anéis e obterá as respostas que anseia.  Pelo que pude ouvir você terá um futuro grandioso rapaz, alias, os dois terão. – e volta a sorrir sensualmente para Dollenc.

_ Pode nos dar ao menos uma direção a seguir? – pede o corado rapaz.

 _ Sigam em direção ao sol, ele iluminara os seus caminhos. – e sem responder a mais nada, a misteriosa mulher desaparece em meio às sombras.

Deixando a tenda, Ryan e Dollenc caminham em direção à estrela do dia. Sem saberem ao certo para onde tal caminho os levara.

_ Escolha… – sussurra o jovem a si próprio.

_ Hã? O que disse? – pergunta o amigo.

_ Estava pensando sobre o que a médium me respondeu sobre o Alliel.

_ Ah, o lance da “escolha”… Esquece isso, afinal, nos temos um futuro grandioso. – e ri ironizando as palavras ditas por Éden.

_ Hey, eu queria me desculpar por não ter te dito nada sobre o anel. Mas é que eu fiquei com medo, por causa da lei de Ariggon, entende? – explica arrependido.

_ Tudo bem, não costumo guardar rancor. Mas por que não o tira?

_ Ele não sai, está grudado ao meu dedo.

_ Isso explica a faixa…

O caminho ainda que incerto, parecia calmo e sem perigo algum. Ambos andavam conversando com seus próprios pensamentos. Dollenc imaginando o tal futuro grandioso que virá a ter e Ryan tentando entender o motivo de ser ele a encontrar o precioso artefato.

Sentia falta de seu computador, onde passava horas conversando com os amigos pelas redes sociais. De sua cama, a qual sempre lhe acomodara nos dias tristes, em que as lagrimas tomavam seus olhos. Sua mãe Helena, que sempre fez das tripas coração, para que o sorriso volta-se aos seus lábios. E seu pai Rick, que apesar de ausente, sempre fora seu maior super-herói.

Queria poder mostrar a eles este mundo tão diferente. Chegou até a imaginar Sarah comendo uma Axpria. Porém, na situação em que se encontra, teria sorte se ao menos pudesse voltar a vê-los um dia.

Sua única chance estaria em encontrar os anéis. Mas onde os mesmos estarão? Num lugar tão grande como este, seria possível encontrar objetos tão pequenos?

Dollenc pelo contrario, pensava num modo de libertar todo esse povo, o qual sofre há tantos anos pela cobiça de Ariggonem unificar Casdia. Seráque seu futuro é este? Ser um salvador ou mesmo um justiceiro que trará liberdade aos oprimidos.

Por alguns instantes, deixa sua imaginação ganhar os ares e assim almejar o que antes parecia impossível. Não sabia se ao certo faria mesmo tudo aquilo, mas tinha certeza de uma coisa. Tudo isso estava relacionado com o estranho amigo e seu misterioso anel.

À noite chega sorrateiramente e como um ladrão rouba o clarão do dia. As estrelas enfeitam o azul, como acessórios de uma árvore em pleno natal.

As pernas cansadas imploram por uma parada e os estômagos vazios gemem por alimento. A escuridão da floresta oculta seus habitantes e apenas os sons de sapos e grilos ecoam em meio ao silêncio.

_ Eu comeria até os brócolis cozidos da minha mãe nesse momento. – comenta Ryan com a mão na barriga faminta.

_ Achei que a médium tinha dito que este anel te permitia fazer o inacreditável. Por que não invoca um banquete?

_ Acho que ele não faz isso, Dollenc. – e fita o objeto em sua mão.

_ Hey, será que os outros anéis também te dão o poder de lançar guardas na parede?

_ Eu tenho cara de vidente? Como eu vou saber…

_ Médium! – corrige-o ao se lembrar de Éden.

_ No momento, eu só queria um hambúrguer. – diz sentindo a água minar na boca.

_ Hangbug o que? Já vai começar com as esquisitices… – e sorri ironicamente.

_ É coisa de onde eu venho… – e retribui o sarcasmo.

_ Bem, não sei o que é esse tal de hangbug. Mas estou aceitando até pedra no momento.

_ Bom apetite. – e lhe entrega um fragmento que achara no chão.

_ Sem graça… Vamos procurar algo pra comer.

_ Certo. – e se levanta do solo

Sem sequer uma tocha para iluminar o caminho, ambos prosseguem por entre os arbustos. A falta de sons lhes permite escutar os próprios passos, que sorrateiros tentam não chamar atenção.

As folhas os tocam dando a sensação de que algo anda por suas costas, o luar é a única fonte de claridade que os rapazes têm para procurar por alimento.

Ryan sente algo deslizar por entre suas pernas. Será aquela cobra outra vez em busca de um segundo round? Permanece imóvel por alguns momentos, na esperança de que a mesma o deixe em paz.

A sensação finalmente passa e seja o que fosse, deveria ter sumido dentre a vegetação.

_ Anda logo. Ou vai se plantar ai? – questiona-o sem paciência.

_ Já vou. Achei que tinha sentido alguma coisa.

_ Pois eu sinto fome… – e antes que prosseguisse reclamando se depara com uma espécie de luz à sua frente.

Ao se aproximarem, percebem que dois soldados conversam distraídos e uma tocha cravada ao chão ilumina uma pequena clareira.

_ O que faremos? – pergunta Ryan ao amigo.

_ Vamos derrubá-los, afinal, são só dois. – e já prepara para o ataque.

_ Hey, espere! Não são apenas dois… Olhe de novo. – e indica a grande aglomeração de tochas a alguns metros depois.

Um verdadeiro exército acampa naquele local, mas o que estariam fazendo ali. De certo se armando para alguma próxima conquista de Ariggon.

_ Aquela louca nos mandou pra um exército? Ótimo, vamos embora daqui.

_ Mas ela disse pra seguirmos por aqui Dollenc. – reluta Ryan.

_ Não, ela disse para seguirmos o sol e no momento você vê algum sol aqui? – e já se apressa em voltar.

_ Ok, mas algo me diz que essa não é uma boa idéia.

_ Chega desse lance de têm algo me dizendo, você não é a Éden. Agora vamos.

Não muito convencido, o rapaz concorda em voltar e procurar um outro caminho. Porém, ao dar o primeiro passo esbarra numa pedra.

_ Merda! – exclama ele.

_ O que foi isso? – questiona um dos soldados.

_ Veja, tem alguém ali! – informa o outro.

_ Droga Ryan… – e volta para socorrer o companheiro.

Ambos são identificados pelos homens que já se armam para o combate. E sem alternativa os rapazes decidem enfrentá-los.

Continua…

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Publicado em 25 de maio de 2012, em História e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Particularmente, eu gosto de como a Médium se porta…
    Gosto de personagens que tem estilos próprios e principalmente que tenham um tom cômico.
    Na minha opinião, Ryan passa longe dessa característica, já Dollenc… Este, é um caso aparte kkkkk.

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