Capítulo 5: Em busca de um plano B…

_ Essas barras me parecem mais resistentes, não acha? – diz Dollenc tentando puxar um assunto.

Ryan sem sequer dar atenção ao comentário, permanece quieto e emburrado.

_ Não acredito que ainda está zangado comigo, já pedi desculpas…

_ Desculpas não vão nos tirar daqui. – responde ele sem a mínima paciência.

_ Hey relaxa, vamos dar um jeito.

_ Não se preocupe, esse túnel vai dar num deposito abandonado e sem utilidade, blábláblá. – o imita frustrado.

_ Faz um tempo desde que eu estive aqui e além do mais, errar é humano.

_ Então me diga Dollenc, como vamos fazer para sair daqui?

_ Bem, isso eu ainda não sei.

_ Não pode abrir o cadeado como da ultima vez?

_ Se esqueceu de que a minha ferramenta de fuga quebrou.

Um barulho sinaliza que alguém se aproxima e ambos receosos permanecem calados.

_ Alguém pode me explicar, como esses dois indivíduos invadiram esse lugar tão facilmente? – pergunta um homem inconformado.

_ Eles vieram por um túnel, do qual não tínhamos conhecimento senhor. – responde um dos soldados.

_ Não tinham conhecimento? A missão de vocês é vigiar esse local e não sabem ao menos quais são as entradas e saídas daqui? – questiona o homem.

Os soldados em silêncio apenas ouvem o sermão do superior, que irritado os ameaça e cria hipóteses do que poderia ocorrer se essa falha torna-se a repetir.

_ Eu deveria entregá-los a mercê do general Darike, para que os corrigisse de melhor modo.

_ Imploramos sua compaixão senhor, garantimos que tal erro jamais se repetira. – suplica um deles.

_ Vocês tem sorte, pois hoje estou de bom humor e esquecerei essa falta. – diz ele acariciando a espessa barba.

Após terminar o discurso, o homem se volta para os dois prisioneiros e abrindo um sorriso amarelado pergunta.

_ Então rapazes, vou facilitar as coisas. Digam-me por que estão aqui e quem os mandou.

Nenhum dos dois se propõe a responder e já irritado o barbudo perde a paciência.

_ Vamos tornar mais clara nossa conversa. Vocês me contam o que eu quero saber e eu deixo que vivam. – e faz sinal para que um dos soldados venha com a espada.

_ Viemos apreciar a estrutura, que por sinal tem uma ótima decoração – diz Dollenc sem medo algum.

_ Ora, um piadista? E você rapaz, o que veio fazer aqui. – e olha Ryan sentado.

_ Aula de pilates, senhor.

_ Aula de que? Está zombando de mim? Pois vai se arrepender!Ou melhor, os dois irão! – e sorri pro soldado.

Ele entendendo a mensagem, pega Dollenc pela garganta e o enforca contra as barras da prisão.

Ryan ao vê-lo sufocando, decide contar o que querem saber.

_ Ninguém nos mandou, viemos para procurar um amigo!

_ Amigo? Que amigo?

_ Um prisioneiro, viemos saber se ele ainda está aqui! Agora solta! – e olha pro companheiro quase inconsciente.

_ Solte… – ordena ele satisfeito.

Obedecendo, o soldado libera o pescoço de Dollenc, que sem ar algum tenta respirar em meio à dificuldade.

_ Ao contrario do outro, você me parece esperto rapaz. Agora me diga mais uma coisa… O que sabe sobre esse túnel?

_ Nada senhor.

_ Soldado? – e novamente faz gesto para que torture.

Mais uma vez o subordinado se adianta para ir maltratar o prisioneiro.

_ É serio, eu não sei de nada! Cai nele por acidente! – explica Ryan.

_ Devo continuar senhor? – pergunta o soldado à espera da ordem.

Pensando por alguns segundos, o homem volta a acariciar a medonha barba e chegando a uma decisão os observa contente.

_ Deixe-os, afinal, logo terão muito trabalho nas minas. E enquanto ao túnel, tampem-no para que não tenhamos mais visitas surpresa.

Os soldados sem demora deixam o local, enquanto o homem observa a mão enfaixada de Ryan.

Percebendo o olhar desconfiado, o jovem tenta discretamente esconde-la.

_ Eu a queimei… – fala ele ao curioso.

_ Tomara que isso não o atrapalhe em trabalhar ou será inútil para mim. – e mostra a espada.

Finalmente o homem decide ir embora e suspirando aliviado, Ryan pensa no que aconteceria se fosse descoberto com o objeto proibido.

_ Hey, você está legal? – pergunta ele ao amigo.

_ Sim, aquele soldado nem era tão forte assim. Mas por que contou sobre o nosso plano?

_ Eles iam nos matar. E além do mais nem deram atenção ao que eu falei.

_ E quem da? – satiriza ele, pondo a mão no pescoço dolorido.

_ Não tem graça. Bem, temos que pensar num jeito de sair daqui.

_ Só mais uma coisa Ryan…

_ O que?

_ Aula de pilates? Que diabos é isso? – pergunta Dollenc confuso.

_ Esquece, mesmo que você soube-se, não iria curtir. – e ri da pergunta inoportuna.

Colocando suas mentes para funcionar, tentam bolar uma forma de sair deste local, porém sem sucesso.

As horas vão se passando e a cada instante, eles parecem menos certos do que fazer.

Teriam de achar uma forma de sair daquela cela, distrair os soldados e até mesmo passar pelos animais localizados nas saídas. Contudo, ainda teriam de procurar por Alliel, antes de irem embora.

_ Não tem jeito, já quebramos nossas cabeças, matamos todos os nossos neurônios e ainda continuamos na mesma. – desabafa apoiando as costas na parede suja.

_ Eu já te disse que além de chato, você é esquisito? – pergunta Dollenc desanimado.

Ele sem dar importância ao insulto, apenas observa a mão e pensando no que já fizera depois de ter posto o misterioso anel, resolve tentar uma coisa.

Se levantando, respira fundo e concentrado coloca as mãos sobre as barras de ferro.

_ O que vai fazer? – pergunta Dollenc estranhando a ação.

_ Fica quieto, preciso me concentrar. – pede ele fechando os olhos.

_ Dessa vez, eu é quem quero ver – e observa a curiosa cena.

Ryan força duas das barras, na intenção de criar uma brecha para poderem passar. Entretanto elas permanecem firmes e fortes.

_ Está ficando louco ou o que? – questiona Dollenc surpreso.

_ Vamos lá… Vamos… – sussurra ele tentando novamente.

Por um breve instante as sente cedendo e se afrouxando alguns milímetros. No entanto, suas forças se vão e Ryan resolve desistir.

_ Quem você pensa que é? Algum tipo de ser supremo?

_ Eu só pensei que… Tem razão. – e se afasta delas.

_ Cara, você é muito estranho mesmo.

Sentindo-se impotente e ao mesmo tempo confuso, Ryan tenta encontrar uma explicação lógica para os acontecimentos. Que vão desde a sua chegada a este lugar, ate as demonstrações de força sobre humana que tivera.

O som de passos quebra o silêncio e logo alguns soldados aparecem.

_ Hey, vocês dois venham conosco. – ordena um deles abrindo o cadeado.

Os jovens se olham e já pensam em tentar fugir. Porém os soldados retiram suas espadas das bainhas e os observam cautelosos.

_ É melhor não tentarem nada, pois estou louco para testar se afiei bem a minha espada. –ameaça um outro.

Resolvendo não arriscar, preferem deixar que os levem. Assim pelo menos, poderiam observar melhor o local e buscar uma saída dessa situação.

Acompanhados pelos guardas, eles atravessam vários corredores e a cada instante pode-se ouvir melhor a batida de picaretas contra as paredes.

O chicote estrala algumas vezes, dando uma amostra de quão severa é a punição, para quem não cumpre sua meta.

Parando finalmente, os soldados fazem sinal para que os rapazes entrem num dos corredores e ainda que receosos quanto à ordem, os mesmos obedecem.

Adentrando este lugar desconhecido, logo se deparam com dúzias de trabalhadores, que sem descanso prosseguem a mineração.

Suas faces tristes e sujas pelo duro trabalho, retratam uma cena jamais vista por Ryan. Que impressionado, só consegue olhar os pobres escravos.

_ Não se preocupe, vou dar um jeito de nos tirar daqui. – sussurra Dollenc para o amigo amedrontado.

_ Carne nova? Venham até aqui! – ordena um homem careca e deveras baixo.

Sem discutir ambos se encaminham até ele, que com uma risada arrogante os recebe.

_ Por enquanto podem trabalhar assim mesmo, vamos deixar a melhor das surpresas para depois do pôr do sol. – e observa contente a feição de pânico de Ryan.

Dollenc pelo contrario, permanece calmo e sério. Como se já estivesse acostumado com essa realidade.

Tendo seus punhos presos por correntes e recebendo as ferramentas de trabalho, logo são postos em uma das paredes, para que iniciem a escavação.

_ O que estão esperando, precisam de um incentivo? – e já retira o chicote da cintura.

Sem alternativa, os rapazes obedecem e começam a perfurar a parede rochosa.

Após alguns minutos escavando, Ryan encontra o primeiro pedaço de ouro e ainda que sujo, o precioso metal encantava seus olhos.

No entanto antes que pudesse admirar, o valioso fragmento é retirado de suas mãos pelo carrasco.

_ Continue! – ordena-o colando o pedaço num dos carrinhos enferrujados.

Cada segundo ali, parecia durar a eternidade e o calor do local maltratava ainda mais os corpos exaustos.

_ Isso é desumano – comenta Ryan ao amigo.

_ Percebeu que eles mantêm nossas mãos amarradas não por que tem medo que nos rebelemos, mas sim para dificultar a escavação? – pergunta Dollenc já exausto.

Ainda que tivesse uma resistência maior, Ryan começava a sentir suas mãos pesarem e o cansaço que antes nem lhe afligia, agora lhe perturba aos poucos.

_ Dollenc? E você mesmo garoto? – pergunta uma voz fraca.

_ Hã? Sebastian? Ainda está aqui? – questiona surpreso ao reconhecer o velho no meio dos mineradores.

_ Nem todos tem a mesma sorte que você meu filho. Que a propósito, não deveria estar aqui. – e se aproxima observando se os guardas lhe notam.

_ É uma longa história, mas e você não deveria ter sido solto?

_ Solto, eu? Eles não libertam ninguém.

_ Mas e enquanto aquela recompensa para aqueles que já contribuíram por toda a vida aqui.

_ Está falando da morte? Pois é só o que ganhamos quando nos tornamos inúteis.

Ryan apenas ouve discretamente a conversa, enquanto continua perfurando a parede.

_ Então eles mentiram… – e aperta com força o punho.

_ Você continua ingênuo como sempre Dollenc. Só continuo aqui, por que ainda sonho em ver o nascer do sol novamente.

_ E você vai, é uma promessa. – e olha determinado para o velho conhecido.

_ Você não mudou em nada mesmo. – e sorri conformado.

_ Não se preocupe, amanha mesmo você vai realizar seu sonho. – e o abraça discretamente.

_ O que está acontecendo aqui? Por que está fora de seu lugar velho? – diz o carrasco já retirando o chicote.

_ Eu, eu estava… – porém antes que terminasse a explicação, recebe uma forte chicotada na costela.

Caindo ao chão, o pobre velho se contorce em meio à dor e enfurecido Dollenc se adianta para golpear o cruel homem.

_ Dollenc, não! – pede Ryan, segurando como pode o amigo.

_Vamos lá rapaz, me de um motivo para açoitá-lo até a morte, junto de seu amigo e esse velho inútil. – e o provoca com um sorriso.

Dollenc luta em escapar por alguns instantes, mas percebendo que isso não lhe traria vantagem alguma, opta por esfriar a cabeça e ajudar o pobre caído.

_ Você está bem Sebastian? – e juntamente com Ryan o levanta do chão.

_ Não se preocupe comigo, depois de tanto tempo já estou calejado – e abre um meio sorriso.

_ Chega de drama ou vão sentir toda a potência dos meus braços. – diz o carrasco irritado com a conversa.

Dollenc sem dizer uma palavra sequer, pega a ferramenta do chão e prossegue o trabalho em silêncio.

O velho se sentindo um pouco melhor volta ao seu lugar e ainda que sem muita firmeza nas mãos enrugadas, continua a trabalhar.

Ao contrário dos demais, Ryan permanece a encarar o homem. Sua mão enfaixada libera um pequeno brilho dourado, o qual nem é percebido pelo carrasco, que apenas retribui o olhar.

_ Eu disse, ao trabalho! – brada ele chicoteando o chão empoeirado.

Voltando finalmente a sua posição, o jovem inconformado escava a parede rochosa. E aplicando todo o seu ódio ao instrumento quebra sem muita dificuldade as barreiras de pedra.

Impressionados, os outros mineradores apenas observam a energia do rapaz. Que sem notar os olhares segue irritado com a tarefa.

_ Ryan? – chama Dollenc surpreso.

_ O que? Hã? – e finalmente percebe o que acabara de fazer.

_ O que foi isso?

_ Eu não sei… – mas antes que disse qualquer outra palavra, escuta a voz do carrasco.

_ Chega por hoje, bando de preguiçosos! Larguem as ferramentas ao chão e sigam em fila até as celas.

Ouvem-se muitos gemidos de alivio e obedecendo às ordens, todos deixam as picaretas e se encaminham por um corredor.

_ Vocês dois ai! – e já arma o chicote.

Ryan e Dollenc param temerosos e aguardam o que o cruel homem tem a dizer.

_ Se recordam de que eu lhes disse que tinha uma surpresa? – e os olha com felicidade.

Permanecendo em silêncio, eles apenas esperam pelo pior. Enquanto o carrasco alegre guia-lhes por um caminho suspeito.

_ O que ele quer com a gente? – pergunta Ryan assustado

_ Olha Ryan… Você vai ter que ser forte, ok? – explica Dollenc sério.

_ Como assim? O que vão fazer com a gente? – e sente o medo lhe tomar o peito.

_ Calados! – ordena o carrasco abrindo uma porta.

Ao adentrarem, sentem o calor produzido pela grande fornalha, que alimentada pela madeira, libera uma grande quantidade de fumaça sobre o local.

Dois soldados os esperam, juntamente com um ferro posto sobre as chamas.

_ Vejamos, quem será o primeiro? – e os observa indeciso.

Seus olhos frios fitam ambos os prisioneiros e pegando o ferro com um protetor, faz um gesto para que Dollenc se aproxime.

Sem medo e sabendo o que lhe aguarda, o jovem se encaminha em direção ao carrasco e sendo imobilizado pelos soldados, é obrigado a se ajoelhar.

O ferro fumegante traz em sua ponta uma espécie de símbolo, formado por dois Gs que se encontram.

Ryan finalmente entendendo do que se trata tenta ajudar o amigo, contudo, é obrigado a parar ao ver uma faca posta no pescoço do rapaz.

_ A não ser que queira vê-lo sangrando até morrer, é melhor se afastar – ameaça ele rindo.

Não havendo nada que pudesse fazer observa inconformado à cena, enquanto o carrasco abaixa a cabeça de Dollenc deixando visível sua nuca.

_ Mas o que significa isso? Você já é marcado? – e observa a marca já posta no rapaz.

_ Larga ele! – pede Ryan apreensivo.

_ Você já fugiu daqui? Ninguém foge! – diz ele surpreso.

_ Esse ninguém, não inclui a mim. – responde Dollenc sorrindo.

Sem acreditar no que acabara de ver, o carrasco permanece pensativo por um tempo e bravo apenas lhe solta.

_ Veremos se fugirá outra vez, tragam o outro – ordena ele irritado.

Percebendo que sua vez chegara Ryan tenta se desvencilhar dos soldados, que o imobilizam e o arrastam pra perto do marcador.

_ Me soltem! – suplica assustado.

O carrasco sorri ao abaixar a cabeça do rapaz e ver que dessa vez não houve surpresa.

_ Relaxe, será como uma picadinha de formiga – e já aponta o ferro no alvo.

Vendo o desespero do amigo, Dollenc se sente incapaz e de certa forma culpado pelo que irá acontecer.

_ Não! – exclama Ryan já sentindo o calor do instrumento se aproximando.

Sentindo aquela estranha ardência novamente, ele empurra os soldados que se colidem contra as paredes e caem atordoados. Enquanto o carrasco apavorado se afasta e posteriormente investe com o perigoso objeto contra o rapaz.

Porém antes que o ferro lhe toca-se, Ryan segura a mão do homem e a aperta com força.

Soltando um estranho gemido, ele deixa o instrumento cair e ajoelhando-se olha assustado para o prisioneiro.

Dollenc sem acreditar no que acabara de testemunhar, observa embasbacado o amigo que levanta.

_ O que é você? – sussurra o homem acariciando a dolorida mão.

Sem responder à pergunta, o rapaz apenas golpeia-o e o lança ao chão.

_ Não temos muito tempo, é melhor irmos agora. – sugere Ryan.

_ Mas como você fez isso?

_ Depois conversamos, vamos! – e puxa o companheiro.

Com muitas perguntas Dollenc o acompanha, enquanto o rapaz procura pela saída mais próxima.

_ Hey, não podemos ir! – e para no meio do caminho.

_ O que foi Dollenc?

_ Preciso resgatar Sebastian – e corre na direção oposta.

Sabendo já o caminho das celas, ele rapidamente adentra o lugar e os prisioneiros surpresos pedem pela liberdade.

_ Dollenc? O que houve? – pergunta Sebastian no meio da multidão.

_ Vim tirá-lo daqui, meu amigo. Só preciso de algo que quebre esses cadeados. – e pensa numa maneira de libertá-los.

_ Isso serve? – pergunta Ryan com a picareta em mãos.

_ Boa garoto – e pega a ferramenta do amigo.

A confusão se arma e os cativos eufóricos já comemoram a liberdade.

_ Que confusão é essa? – pergunta um soldado chegando ao local.

Retirando sua espada, ele investe para conter a invasão. Porém, Ryan o derruba com um chute no estomago.

Numa pancada, Dollenc liberta os prisioneiros que rapidamente correm rumo à liberdade.

_ Eu prometi que você veria o nascer do sol, não é? – fala Dollenc dando um abraço no velho senhor.

_ Vamos! – apressa Ryan pegando a espada do soldado.

Os cativos correm pelas passagens e derrubam tudo e todos a sua frente. Nada parece conte-los e a vitória está perto afinal.

_ O que está havendo aqui? – Brada o comandante barbudo ao ver a confusão.

_ Os prisioneiros se rebelaram senhor! – avisa um dos subordinados.

_ Detenham-nos, soltem os lobos e fechem as saídas! Quero cada soldado dessa prisão caçando esses miseráveis! – ordena furioso.

Pouco a pouco as saídas são trancadas e os lobos ferozes atacam os prisioneiros que aparecem pelo caminho.

Gritos de dor e pânico são ouvidos, enquanto os soldados se armam para render os fugitivos.

Sebastian e os rapazes procuram por uma passagem livre. No entanto por onde passam só vêem morte e violência.

_ Todos nós vamos morrer e os que não forem mortos, voltaram para as celas. – desabafa o velho já sem esperança.

_ Acabou, é melhor nos rendermos – sugere Ryan.

_ Chegamos muito longe pra desistir agora. Venham eu tive uma idéia. – afirma Dollenc indo por uma das passagens.

_ Para onde vamos? – pergunta Sebastian cansado.

_ Com sorte, para a liberdade! – responde o rapaz entrando numa porta.

Sem entender o que Dollenc quis dizer Ryan apenas o segue. Seguido pelo velho prisioneiro que caminha ofegante.

_ Eu sabia, aqueles preguiçosos nem tamparam ainda o buraco! – diz ele fazendo sinal para que os dois entrem.

A esperança novamente habita em seus corações e subindo pelo túnel, já avistam a luz do luar.

Saindo, se deparam com a horrível cena de corpos sendo mutilados pelos lobos e espadas se sujando de sangue.

_ Temos que ajuda-los! – diz Ryan não suportando mais a situação.

_ Não há nada que possamos fazer meu jovem… Se formos lá, não voltaremos – explica Sebastian.

_ Mas… Dollenc? – e observa o companheiro de cabeça baixa.

_ Vamos embora… – diz ele triste.

Os gritos cessam e o silêncio que se espalha, serve de luto às vitimas.

_ Vi alguma coisa se mexendo ali! – brada uma voz seguida de diversos passos.

Ouvindo isso, os três fugitivos se escondem por entre os arbustos e assim ficam por varias horas.

Seus corpos cansados pelo duro trabalho e a correria da fuga, pedem pelo sono. E os olhos pesados, se fecham na esperança de um amanha melhor.

———————————————-//————————————————–

Uma gota formada pela umidade da madrugada, escorrega por entres as folhas da vegetação e caindo sobre o rosto do rapaz, o desperta de seu sono.

Ao abrir seus olhos, Dollenc observa o céu que já clareia com o nascer do sol.

_ Ryan. – chama-o contente.

_ Hã? O que houve? – e levantando-se esfrega os olhos.

_ Conseguimos. Estamos livres novamente. – comenta com um sorriso.

_ É estamos, estamos livres! – comemora ao se dar conta da situação.

Felizes, ambos observam a alvorada. Que se torna ainda mais bela com o voar dos pássaros.

_ Hey Sebastian, acorde! Está perdendo! – alerta o rapaz sem tirar os olhos da bela paisagem.

No entanto, nenhuma resposta retorna do velho, o qual permanece imóvel ao chão.

_ Sebastian, acorde! O dia está nascendo! – repete Dollenc virando-se.

Mas ao fazer isso, tem uma terrível surpresa quanto ao amigo. Sua face pálida reflete a falta de vida, assim como seu coração que parara de bater no peito.

_ Sebastian? – chama o com as lagrimas já se encaminhando aos olhos.

_ Qual o problema Dollenc? – pergunta Ryan virando-se também.

_ Ele… Morreu… – afirma abraçando o velho.

_ Foi demais pro seu coração. Toda aquela correria e trabalho o mataram.

_ Não! Eu o matei. Ao invés de libertá-lo… Levei-o para a morte – e aperta com força o corpo sem vida.

_ Não foi culpa sua, você cumpriu sua promessa. O tirou daquele lugar. – e coloca a mão em seu ombro.

_ Ele nem chegou a realizar seu sonho. – e com os punhos soca a terra.

_ Pode não ter visto aqui, porém tenho certeza de que em seus sonhos Sebastian se viu realizado. – fala Ryan tentando consolar o amigo.

Após enterrá-lo com as próprias mãos, Dollenc permanece calado. Seus olhos frios e sem qualquer motivação, apenas vasculham uma razão para continuar.

_ Devemos ir. – sugere o amigo.

_ Quero ficar aqui pensando. E além do mais para onde iríamos? – diz jogando uma pedra sem rumo.

_ Não sei, mas alguém me disse que ficar parado e se lamentando não muda a situação. – explica Ryan andando.

Aquelas palavras ditas antes por ele mesmo, o dão força e pondo-se em pé caminha junto do companheiro.

Sentindo-se estranho, Ryan nota que tudo desaparece a sua volta e caindo ao chão sente que suas pernas não possuem mais força.

_ Ryan! O que foi? – pergunta Dollenc ao vê-lo naquele estado.

Sem conseguir responder à pergunta, o jovem grita desesperado. Suas veias parecem explodir uma a uma e a falta de ar o leva a angustia.

_ O que está acontecendo com você? – e procura por algum indicio da causa do estranho comportamento.

_ Essa não! – exclama ele ao retirar a camiseta do amigo.

Uma marca de presas é visível em seu ombro, que com uma coloração diferente incha cada vez mais.

A voraz predadora conseguira ataca-lo sem que pudesse perceber e injetara naquele ferimento seu veneno mortal.

Continua…

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Publicado em 13 de maio de 2012, em História e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Apesar de ter sido trabalhoso valeu a pena e muito…
    Se tiveram duvidas sobre a história, sugestões ou mesmo criticas fiquem a vontade para comentar nos posts
    Bom dia pessoal!

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