Breves do capítulo…

Olá, nada melhor do que um antigo conhecido para esclarecer questões tão intrigantes, não acha?

Enfrentar o perigo não parece ser de tudo mal, pois a recompensa por um bom gesto tarda, mas sempre vem. Seja com novos laços para o coração ou mesmo ouro…

Afinal, os jovens terão de mudar sua rota e retornar a aquela que lhes mostrara o caminho anterior.

Bem vindos novamente a Geedeon…

Capítulo 9: A garota do riacho…

_ Respondam-me de uma vez! – brada a confusa desconhecida.

_ Olha, meu nome é Ryan e este aqui é o Dollenc. – responde o jovem tentando acalmá-la.

_ Não posso dizer que é um prazer conhecê-la. – fala Dollenc, com a ironia de sempre.

Ouvindo as palavras grosseiras do rapaz, a desconhecida, ainda que desajeitada, tenta disferir um golpe de espada no mesmo. Contudo, antes que pudesse fazê-lo, Dollenc segura fortemente a lâmina e posteriormente a retira das mãos da agressora.

_ Eu não quero te machucar… Não muito… – sussurra disfarçadamente, sentindo o nariz latejar– Por isso, pare de agir como uma louca. – conclui irritado.

_ Louca? – repete a garota, sentindo o sangue lhe subir.

_ O que ele quis dizer, é que não queremos briga. Nós, não vamos lhe fazer mal algum. – explica Ryan pondo naquelas palavras toda a sinceridade.

_ Não sem um motivo. – complementa Dollenc com um sorriso malicioso.

A jovem não se contém ao ouvir a voz irritante do individuo e aplicando-lhe um pontapé, o faz urrar novamente.

_ Parem, mantenham a calma! – pede, ao ver ambos se entre olharem rancorosos.

_ Foi ela quem começou! – exclama acariciando o joelho.

_ Você mereceu… Mas, o que estão fazendo aqui? – questiona a garota ajeitando os longos cabelos loiros.

_ A melhor pergunta seria… O que você estava fazendo estirada ali? – rebate furioso, apontando o local onde a encontraram desacordada, instantes atrás.

Lançando um olhar repreensivo ao amigo, o qual mais parecia significar “Você quer calar a sua boca?”, Ryan se volta para a encrenqueira e após pensar um pouco, resolve iniciar a conversa pelo básico.

_ Pode me dizer qual é o seu nome? – pergunta calmamente.

_ Meu nome?

_ Não, a sua… – mas pensando melhor, o zangado rapaz, prefere guardar às palavras finais na própria mente.

_ Sim, seu nome. Você tem um, não tem?

_ Claro que tenho, o meu nome é… É… É… – entretanto, estranhamente, havia o esquecido naquele momento. – Eu não me lembro.

_ Essa aí, está pior do que você Ryan. Não se lembra nem do próprio nome… – e fazendo o comentário, cai na gargalhada.

_ Pare de rir! – ordena irritada – Pare de rir ou eu… – mas antes que o atacasse novamente, sente a mão de Ryan lhe impedir.

_ Como veio parar aqui? – e aos poucos libera a jovem.

_ Eu… Não me lembro… – explica pondo a mão sobre a cabeça.

Ao encostar seus dedos num ferimento que se escondia dentre seus sedosos cabelos, a jovem lança um surpreendente grito de dor, o que rapidamente, chama a atenção de Ryan.

_ Posso ver? – pergunta educadamente.

_ Hum… Tudo bem… – permite, apesar de receosa.

_ Você está com um galo imenso aí! – comenta analisando o ferimento.

_ Ela deve ter batido a cabeça nas pedras do riacho. Isso explica a perca de memoria. – deduz Dollenc.

Os três, por alguns instantes, observam a correnteza das águas, as quais, totalmente cristalinas, esbanjavam vida em seu interior. As várias pedras existentes no leito possuíam em suas superfícies, uma espécie de musgo fortemente esverdeado. Libélulas sobrevoavam o local e alguns peixes eram vistos no fundo do riacho, e como em coreografia, saltavam para fora buscando pegar os distraídos insetos.

Após alguns momentos de contemplação, Dollenc, dando um longo suspiro, sacode a cabeça em sinal de reprova.

_ Não deveria nadar aqui. Que isso lhe sirva de lição.

_ Eu não estava nadando! – responde num tom seco.

_ Ah não? Então, estava fazendo o que? – indaga confuso.

_ Já disse que não me lembro! – brada perdendo a paciência.

_ Se não se lembra, então, como pode ter certeza de que não estava nadando? – e abre um sorriso de vitória.

_ Deixem isso pra lá. O importante é que você está a salvo. – conclui Ryan, pondo um fim ao debate.

Intrigado, o rapaz pensou em perguntar de onde a mesma vinha, para que pudessem levá-la de volta ao lar. Porém, percebendo que qualquer pergunta seria inútil naquele momento, resolve se calar e admirar o enigmático anel que a tal usava.

_ Bem, acho melhor eu ir. – e adiantando-se, caminha sem rumo por uma direção qualquer.

_ Pra onde vai? Você mal sabe aonde este caminho leva. – interroga, desviando finalmente o olhar do artefato.

_ Certamente me levará para companhias menos desagradáveis. –  e num ultimo gesto, indica o irônico indivíduo.

_ Vá pela sombra. – e virando-se, Dollenc deixa claro que não está se importando com a decisão.

Ouvindo o derradeiro comentário, a jovem em passos largos, prossegue em sua jornada rumo ao desconhecido e embora estivesse um tanto receosa, adentra a densa mata a sua frente. Ryan, parece preocupado quanto ao futuro da garota e vendo que a mesma está quase sumindo do alcance de seus olhos, lança um pedido em voz alta.

_ Volte! Não é seguro sair sozinha por aí!

De nada adiantara as palavras ditas, pois, a desmemoriada havia desaparecido e já não ouvia qualquer apelo. Agora, ambos estavam sozinhos novamente e Dollenc voltando-se ao amigo, percebe que o mesmo o fita sem qualquer aprovação no olhar.

_ O que é? – indaga, já imaginando a resposta.

_ Poderia ter sido um pouco mais amigável. Ela está confusa, poxa.

_ Confusa? Pareceu-me um tanto lelé.

_ Louca ou não, esqueceu-se de que ela tem um anel? – questiona incrédulo na atitude do companheiro.

_ Pode ser um anel comum, não a vi fazendo nada de extraordinário.

_ Mas pode não ser. Temos de encontrá-la, antes que se meta em apuros. – e explicando a situação, começa a percorrer o mesmo trajeto feito pela jovem.

_ Tudo bem… Mas não me peça para ser gentil! – fala acompanhando o amigo.

Perdida e sem qualquer memória, a garota atravessa a mata fechada, ora tropeçando num fragmento qualquer, ora perdendo um pedaço da veste num galho seco. Seu vestido, apesar de molhado, sujo e agora desfiado, parecia ser feito de um material extremamente caro e com detalhes em costura por toda a parte do busto. Sua pigmentação, era em sua grande maioria turquesa, exceto pelas mangas e gola, que esbanjavam um majestoso linho branco.

_ Nunca em toda a minha vida, encontrei alguém tão mal educado e tão irritante… Ou será que encontrei? – indaga a si própria confusa – Espero nunca mais vê-lo!

O caminho tortuoso revelava aos poucos seus habitantes. A jovem em certo momento chegou a se assustar com o aparecimento repentino de uma cobra. Contudo, esta havia feito seu desjejum instante atrás. Estava inchada, e a cauda do rato silvestre ainda era visível fora de sua boca. O animal apenas a observou e percebendo que não havia ameaça prosseguiu para dentro dos arbustos.

Recuperando-se e tomando coragem, a garota avançou mais um passo. No entanto, seus ouvidos haviam captado algumas vozes. Apressada, decide investigar a origem dos sons e abrindo um espaço entre as folhagens, identifica três indivíduos.

_ E como vamos repartir o saque? – questiona o mais franzino, esfregando as mãos.

_ Repartir? Você não fez nada, a não ser vigiar a retaguarda. – fala um outro, só que mais baixo.

_ Mas o plano foi meu! Diga a ele Morrice! – argumenta o magrelo.

O terceiro integrante mostrava-se pensativo e pouca importância deu às palavras do parceiro. Em sua face, se via uma cicatriz próxima ao queixo e uma crespa barba escondia a maior parte de seu sorriso amarelo.

_ Morrice! Estou falando com você! – bradou o magricelo.

_ Não me incomodem com suas tolas picuinhas! – esbravejou perdendo a paciência e sufocando-o com seu grande punho.

O pescoço fino do companheiro poderia deslizar facilmente para fora das mãos de Morrice, se não fosse sua desproporcional cabeça. Os olhos do sufocado quase saltavam para fora da orbita e um estranho roxeado já surgia em seu semblante.

_ Desculpe-me… Não voltarei… A perturbá-lo… – suplica quase inconsciente.

_ Dessa vez passa. – diz lançando-o ao chão bruscamente.

_ Hey, Morrice? – o baixinho chama a atenção com certo receio.

_ O que foi? – indaga com uma voz rouca e pouco amigável.

_ Hum… Vamos repartir o ouro igualmente?

_ Em três partes, você quis se referir, não é? – questiona o franzino com a mão no pescoço roxo.

_ Tanto faz Zitrand! Isso é mixaria perto do que poderemos conseguir através do meu plano.

_ Plano? Mas… Que tipo de plano? – fala o baixinho Zitrand, mostrando real interesse nas palavras de Morrice.

_ Ouvi rumores está manha de que Ariggon acaba de tomar Alkalia.

_ Todos nós sabemos isso Morrice! – interrompe o magricelo tagarela.

Lançando um olhar sanguinário ao intrometido, Morrice deixa claro que se fosse interrompido novamente, matá-lo-ia sem hesitar. E o franzino percebendo a grave falha que acabara de cometer, dá um leve recuo em meio ao temor.

_ Como eu ia dizendo, o meu plano é… – mas ouvindo um chacoalhar de folhas, volta seu olhar para a mata.

A jovem havia aproximado-se um pouco mais para ouvir claramente o tal plano, e com isso, acabara chamando a atenção para si. Entretanto, ela retornou rapidamente para dentre os arbustos, na esperança de não ter sido notada.

_ O que houve Morrice? Não vai nos contar o seu plano? – questiona Zitrand intrigado.

_ Mais tarde… Vou ir tirar água do joelho. Enquanto faço isso, resolvam essa questão do ouro.

Sem dizer mais nada, o sombrio homem, adentrou outra parte da mata, enquanto os outros dois bandidos prosseguiam a discussão. Os mesmo debatiam num alto tom, ora ameaçando, ora rolando na grama fofa.

A cena, de certa forma, estava interessante. A jovem chegou até mesmo a torcer por Zitrand, que acabara vencendo a disputa. Todavia, algo fizera seu coração disparar, como uma espécie de pressentimento ruim.

Uma sensação latejava no fundo do seu peito e a fazia temer pela própria vida. Mas o que poderia ser? O que estava acontecendo? Mais confusa do que o normal, a garota olhava para várias direções. Até que, voltando-se à mão, notou o artefato que brilhava misticamente.

_ Hã? O que é isso… – indagou a si mesma receosa.

Até aquele momento, o anel, não havia sido notado pela jovem, que admirada com a estranha forma de luz, matutava o que estaria ocorrendo. Porém, antes que pudesse raciocinar melhor, sentiu dois braços robustos envolvendo-a por inteira.

_ Olha o que temos aqui! – exclamou a voz rouca de Morrice.

_ Solte-me! – e aos gritos pedia por ajuda.

Com a jovem presa em seus braços, Morrice aproximou-se dos companheiros, que surpresos pela visita inesperada, logo estavam sorrindo cruelmente.

_  Que moça mais bonita, não acha Frank? – comentou o baixinho Zitrand.

_ Se eu soubesse que teríamos visitas de aparência tão bela, teria tomado um banho. – e numa pigarreada forte, Frank o magrelo, liberou ao chão um liquido viscoso que lhe entupia a garganta.

_ Por que estava bisbilhotando? – questionou Morrice, impondo em sua voz, mais rouquidão do que o normal.

Sem saber que resposta dar à pergunta, a desolada garota, só fazia gritar e espernear nos braços do bandido, o qual, apenas apreciava aquela situação.

_ Hey Morrice, ela está usando um anel! – exclamou Frank com os olhos reluzentes.

Todos os três voltaram-se para o artefato que reluzia de maneira magnifica e logo sentiram a ambição tomar-lhes por completo.

_ Me parece bem valioso! – falou Zitrand ao examinar o anel.

_ Iremos lhe fazer um favor, afinal, não quer se meter em encrencas por um anel bobo, não é? – explicou o franzino se aproximando.

_ Deixem-me! Eu lhes imploro! – suplicou a jovem apavorada.

Frank rapidamente segurou a mão da indefesa moça e com ansiedade puxou o artefato. No entanto, o mesmo não se mexia e apenas continuava a reluzir no dedo de sua usuária, trazendo assim, fúria aos olhos do saqueador.

_ Essa porcaria está grudada, não sai de jeito nenhum! – bradou inconformado.

_ É você quem é fraco, saia da frente magrelo e veja como um verdadeiro homem faz. – ordenou Zitrand empurrando o companheiro.

Zitrand deu uma leve puxada, mas o anel permaneceu no mesmo lugar. Posteriormente aplicou mais força, porém, só conseguiu tirar gritos de dor da jovem. Perdendo a paciência, o baixinho retirou sua faca em total indignação.

_ Vamos cortar o dedo de uma vez! – e levantando a lâmina, já se preparava para ferir a jovem.

_ Por favor! Não!

Entretanto, antes que pudesse cometer tal atrocidade, o nanico sentiu o sangue descer a sua testa e a dor tomar a sua cabeça. Havia levado uma forte pedrada e agora só fazia berrar aflito. Os três, voltando os olhares para a direção da origem do fragmento, perceberam que dois rapazes os olhavam em meio a revolta.

_ Soltem-na ou vão se arrepender! – gritou Dollenc empunhando sua espada.

_ Maldito pirralho! – exclamou Zitrand, ao identificar Ryan que segurava outra pedra.

_ Então vocês conhecem essa intrometida? Pois sofreram junto dela! – ameaçou Frank pondo-se em guarda com uma lâmina em mãos.

_ Acabem com eles! – disse Morrice apertando a prisioneira.

Sem pensar duas vezes, Dollenc rapidamente avançou furioso contra os cruéis homens, enquanto Ryan admirado pela explosão do amigo preocupou-se em libertar a desconhecida. As lagrimas eram evidentes no rosto da garota, que só podia torcer para que tudo acabasse de melhor forma.

Primeiramente, o enfurecido rapaz atacou Frank com toda a força que possuía, porém, o mesmo era extremamente astuto e sabendo que não venceria um confronto direto, apenas esquivou-se rapidamente. Zitrand pelo contrário, era orgulhoso como seu oponente e agarrando a cintura de Dollenc, o derrubou agressivamente ao chão.

Ryan desarmado, só olhava fixamente para Morrice. Não poderia correr o risco de ferir a jovem. E também de aplicar um golpe inútil, sem a força que o anel, de vez em nunca, lhe dava. Enquanto o grandalhão apenas sorria, por estar em vantagem na situação.

_ Vou triturá-lo com minhas próprias mãos! – bradou Zitrand com o rosto ensanguentado.

_ Segure-o pra mim Zitrand, vou dar cabo a vida desse infeliz. – pediu Frank apontando a lâmina.

Num golpe feroz de cabeça, Dollenc atordoou o baixinho zangado e segurando-o pelos ombros, o lançou em seu companheiro magricelo. Os dois caíram doloridos no chão e embora Zitrand fosse de pequena estatura, tinha lá seu peso.

Frank procurava recuperar-se, mas com a força que tinha, não conseguia sequer levantar o nanico parceiro. Quando finalmente conseguiram ficar de pé, Dollenc já havia empunhado novamente sua espada e estava pronto para fatiá-los.

Morrice, percebendo que os paspalhões tinham perdido o combate, retirou de sua veste uma afiada faca de caça e apontou a mesma para o pescoço da jovem. Seus olhos demonstravam total frieza e afirmavam que seu dono faria qualquer atrocidade para vencer.

_ Você aí! Dê a espada a um dos dois! – ordenou Morrice.

“O que eu faço agora?” Pensou Dollenc ao ver a desconhecida em risco eminente de morte. Deveria entregar a espada? Ou talvez tentar um ataque rápido em Morrice? Por alguns instantes, o rapaz apenas observava a aflita prisioneira. Ora ela, ora a Ryan, ora à própria espada.

_ Não me ouviu dizer? Dê a espada nesse instante ou o sangue dessa bela jovem ficara em minha faca! –  ameaçou novamente.

Ryan estava de mãos atadas, não tinha certeza se podia ser mais rápido do que o grandalhão e não estava disposto a arriscar uma vida. Seu coração batia num ritmo assombroso e seu punho apertava cada vez mais forte a pedra que segurava.

Frank estendera sua mão à espera de receber a arma, de forma que Dollenc sem escolha, já levantava o punho para entregá-la de mal grado. A esperança parecia ter sido aniquilada e os saqueadores sorriam vitoriosos. Contudo, a jovem enchendo-se de coragem, aplica um chute nas partes baixas de Morrice, que instantaneamente urra de dor.

Aproveitando-se da situação, Ryan lança o fragmento  na cabeça do agressor, que ajoelha atordoado libertando a desconhecida. A mesma corre aliviada para junto do rapaz, que já se prepara para a revanche de Morrice. Enquanto Dollenc, puxando a espada das mãos do magrelo, lhe acerta o nariz com o cabo. Fazendo esguichar assim, uma cascata de sangue.

Zitrand até tenta derrubar novamente o oponente, mas o engenhoso rapaz se esquiva para a direita, deixando o nanico se esborrachar sozinho ao chão.

_ Desgraçado! – brada Morrice avançando cegamente contra ambos os jovens.

Pondo-se a frente, Ryan deixa claro que o grandalhão não tocara num fio de cabelo sequer da moça. E apertando o punho com firmeza, pensa repetidas vezes a mesma frase. “Me de forças!”

A desconhecida já se encolhia à espera do fim de seus dias. Mas para sua surpresa, o rapaz a sua frente, havia detido as mãos de Morrice.

Espantado com a força de Ryan, ele mal podia piscar seus assustados olhos. Suas mãos estavam sendo bloqueadas e a faca que trazia numa delas não conseguia se aproximar do alvo. De repente, sentiu um forte apertão amassar seus músculos e causar-lhe a pior dor que já havia experimentado.

Deixando o instrumento de caça cair, ele agora se encontra desarmado e vulnerável ao próximo movimento do rapaz, o qual,  sem sombra de dúvidas foi incrível. Um bem colocado chute no estomago o fez voar para trás, e senão bastasse, ainda fora arrastado por cerca de quatro metros com o impacto.

Disferindo uma ultima pancada nas costas de Zitrand, Dollenc anunciava a vitória. Todos os três saqueadores estavam nocauteados e sem qualquer possibilidade de reação.

_ Está machucada? – indaga Ryan num suspiro de alívio.

Ela apenas chacoalha a cabeça em afirmação, mas isto já era o suficiente na opinião de Dollenc, que  se aproximando guarda a espada.

_ Eu agradeço pela ajuda.

_ Não foi nada. Mas, tente não se afastar novamente, ok?

_ Como assim?

_ Você virá conosco, queremos o seu anel. – explica Dollenc num tom seco.

_ Eu não vou a lugar algum! – exclama inconformada.

_ O que ele quis dizer, é que vamos levá-la para casa. – fala Ryan tentando evitar novas discussões.

Apanhando o ouro que se encontrava ao chão, Dollenc parece finalmente abrir um sorriso de contentamento. Afinal, ambos os jovens não tinham nada, a não ser a roupa do próprio corpo.

_ Dollenc! – gritou Ryan assustado.

_ O que foi?– e virando-se, observou que a jovem havia perdido a consciência.

Preocupados, começaram a pensar que poderia ter algo haver com o ferimento que a mesma sofreu no riacho. Tentaram chamá-la, sacudi-la, mas a mesma permanecia numa espécie de transe. Foi aí, que finalmente perceberam o anel que brilhava em seu dedo.

O artefato emanava uma luz constante e parecia provocar a situação da jovem.

Continua…

Ao leitor…

Fico muito feliz que estejam gostando do prosseguimento da história, mas tenho uma coisa a pedir…

Algumas pessoas tem comentado (obs.: O que eu acho ótimo!)

Mas, os mesmos tem colocado links de sites ou até de blogs que na verdade, não têm nada haver com o conteúdo postado aqui…

Por isso peço que postem, mas para dizer o que acham da história, o que deve melhorar, o que não entenderam,etc…

Evitem postar links, ok?

Desde já, agradeço pela compreensão e colaboração…

Atenciosamente,

Lukka de Oliveira

Breves do capítulo…

Olá novamente, muitas das coisas que eu digo, tenho a esperança de que possam não se tornar realidade. Afinal, a morte, seja ela de uma pessoa ou criatura, boa ou mesmo má, não alegra meu coração.Mas os laços sim, principalmente aqueles de amor ou amizade…

Certamente, um laço nascerá entre a jovem e os rapazes. Vejo, que este laço, se tornará cada vez mais forte no futuro e que através dele, muitas coisas serão feitas.

Bem, o que posso lhes revelar do agora?

Somente que é uma boa época pra se fazer amigos, mesmo que no caso de Dollenc, sejam na maioria das vezes, estranhos…

Votem! ( Múltipla escolha)

Ao leitor

Primeiramente, quero me desculpar pela demora nas postagens. Tenho tido alguns problemas com a internet e deste modo, perdido alguns materiais desenvolvidos para postar no blog do Casdia.

Dito isto, quero reforçar aos leitores que curtam a pagina do Blog em seus Facebooks e da mesma forma, divulguem o link pela web.

Fico muito grato pelas visitas que só têm aumentado com o passar dos meses e peço-lhes que procurem comentar os posts. Seja com criticas, sugestões ou duvidas.

Desde já agradeço pela colaboração e compreensão.

Atenciosamente,

Lukka De Oliveira

Capítulo 8: Desmascarados…

O temor cresce abundante no coração dos espectadores, os quais, com seus olhares trêmulos, somente observam o cadáver ao chão. Suas feições indicam nada mais e nada menos, do que o mais puro medo que se possa  imaginar, quando se trata da visualização da própria morte.

Impiedoso, o que já era esperado de seus subordinados, Darike abre um breve e frio sorriso de satisfação. Como se ao tirar aquela vida, estivesse degustando da mais divina das bebidas, que os lábios pudessem ter o prazer de desfrutar.

Abaixando a assassina mão, ele apenas acaricia o intrigante artefato, que certamente, estaria ligado à capacidade sobrenatural que possuía. E por alguns momentos permanece assim, quieto, mostrando-se pensativo e principalmente indeciso.

_ Este, é um alerta a todos vocês. Não existe lugar para os covardes em Ariggon. Apenas os fortes sobrevivem. – fala aos diversos ouvintes.

“Quem era aquele homem tão desprovido de misericórdia? E que capacidades teria adquirido com o tal anel?” Matutava Ryan, observando fixamente ao cruel general.

Seus olhos prosseguiam enigmáticos. “Quem seria sua próxima vitima?” É o que todos questionavam temerosos no inconsciente.

_ Chega de enrolação! Temos uma batalha a nossa frente! – brada, sem um pingo de paciência.

Sem pestanejar, a multidão desfaz-se rapidamente, levando consigo o corpo de um companheiro, restando assim, além dos dois rapazes, apenas o gigante inconsciente.

_ É claro que essas palavras não o incluem, Ryan. Mas… Ainda há uma coisa que me intriga. – comenta ele, pondo a mão sobre o queixo.

_ Se me permite a pergunta… O que general? – indaga o jovem, sentindo o coração pesar.

_ Como alguém tão jovem, conseguiu derrubar um ser dessa magnitude? – e desconfiado analisa o suposto guerreiro.

Ryan não sabia o que responder. Certamente, não poderia lhe dizer que fizera tudo isso, graças à ajuda do anel, que trazia em sua mão direita. Afinal, o que deveria  falar? Nada de convincente lhe vinha ao pensamento.

_ A explicação está no treinamento. Ryan desde muito criança, recebera rigorosas lições de combate. – afirma Dollenc, pondo naquelas palavras, toda a convicção e talento na arte de mentir.

_ Treinado… E qual o nome de seu tutor? – interroga novamente, buscando palavras contraditórias em meio às respostas.

_ Sebastian. – rebate o astuto jovem, sem dar tempo para que o amigo ao menos gagueje.

_ Se possível, gostaria de pessoalmente parabenizá-lo  pelo ótimo ensinamento.

_ Infelizmente… Não há como. Já que ele faleceu há algum tempo. – explica Dollenc, em um tom deveras triste.

_ É uma pena… Bem, neste caso, só posso lhes dar meus pêsames. – diz o general, parecendo estar finalmente convencido.

Ryan demonstra através de seus olhos, um certo receio quanto ao contentamento do general. Mas o que poderia fazer a respeito? Estavam cercados por inúmeros subordinados. E mesmo que o anel resolvesse auxiliá-los, o que sem dúvida seria um milagre, ainda teriam de enfrentar a misteriosa habilidade do objeto de Darike.

_ Peço que não leve em conta esse jeito acanhado de Ryan. Ele sempre foi de poucas palavras. – informa Dollenc, bagunçando os cabelos rebeldes do amigo.

_ Um guerreiro não é medido por suas palavras e sim, por suas ações.

O receoso jovem tinha de admitir que aquele homem, apesar de cruel, sabia usar as palavras de modo convincente.

_ E quanto a ele? – diz o jovem, perdendo finalmente o medo e apontando para a monstruosa figura estirada.

_ Vou deixar que se encarregue dele, afinal, o mérito é todo seu. –  e retira da bainha sua espada.

Entregando-a ao rapaz, Darike deixa claro que acabara de encarregar o herói em dar um fim à criatura. Enquanto Ryan, recebendo tal objeto, nota que o próprio resplandece de forma magnifica, mesmo em meio à noite.

Porém, dando-se conta de que terá de matar um ser, o rapaz simultaneamente estremece. Nunca em sua vida, fizera tal atrocidade e muito menos pretendia fazê-la agora.

_ Algum problema, jovem guerreiro? –  questiona, estranhando a demora.

Dollenc pensa em dizer algo para impedi-lo de prosseguir, mas isso certamente, faria com que o general desconfiasse novamente de ambos.

_ Vamos Ryan! –  encoraja o parceiro, lhe dando um empurrão.

Em alguns passos tímidos o rapaz se aproxima, do que, ou quem, será sua vítima. Levantando a afiada lâmina, respira fundo e tenta afastar de si, a culpa que já lhe toma o peito.

_ Acerte-o no coração. – ordena Darike friamente.

No entanto, antes que pudesse realizar a fatal ação, Ryan se vê interrompido por três figuras que adentram correndo e gritando, sendo que dois deles estavam semi-nus.

_ Espiões! Farsantes! Alertem ao general! –  exclamam respectivamente os três indivíduos.

Percebendo que estão prestes a serem desmascarados, ambos os rapazes empunham as armas rapidamente.

_ Ali estão eles! Farsantes! –  indica o de maior porte, ao ver a armadura mal vestida em Ryan.

Darike permanece imóvel, sem entender o que acontece. E aproveitando-se da distração, Dollenc sem pensar duas vezes, investe com sua arma no tirano.

Instintivamente o homem levanta a mão contra o rapaz, que parando na mesma hora, sente que algo o aprisiona e posteriormente  lança-o ao chão. Por vários metros é arrastado, tendo assim, alguns ferimentos leves, até que, ao alcançar uma certa distância, para.

Os soldados se aproximam do general. E Ryan com a espada ainda em mãos, fita o anel de Darike.

_ Parado! –  ameaça uma voz dentre a multidão, enquanto inúmeros instrumentos de batalha apontam para ambos os rapazes.

_ Não se mexa! Ou então, ele morre! –  diz um dos soldados, aproximando sua lâmina do pescoço de Dollenc.

Não havia nada a se fazer. Um movimento brusco poderia custar a vida de seu amigo. A rendição parecia ser a unica opção satisfatória. E percebendo isso, Ryan deixa a espada cair ao solo, em sinal de derrota.

_ Não tolero espiões! Matem-nos e deem seus corpos a Taruckie! – brada em meio ao ódio.

Obedecendo imediatamente, eles investem pra matar. Contudo, uma sombra toma o lugar, assim como uma respiração estrondosa, que chega a chacoalhar as poucas vegetações rasteiras.

O gigante despertara. E agora mais irado do que nunca. Enquanto Darike, apenas o observa sem esboçar qualquer sentimento, seja de medo ou pânico.

Um grito de fúria deixa seus imensos lábios, que mais parecem os portões de um abismo a se abrirem, formando uma rajada de vento, a qual, rapidamente derruba grande parte dos homens.

_ Levantem! Eu quero esse gigante no chão! E os intrusos mortos! Ou pagarão com suas miseras vidas! –  berra, exaltando-se ao máximo.

Numa bofetada, a criatura esmaga duas das centenas de miniaturas a sua vista. Enquanto Dollenc, se levanta e apressando-se corre em direção ao amigo. A medida que Ryan empunha novamente a espada.

Todavia, Darike não tem a miníma intenção de deixá-los partir e tomando o equipamento de um de seus homens, investe contra o espião. Que ao identificá-lo, esquiva-se a tempo.

Dollenc aproximando-se, tenta ajudar o amigo. No entanto, logo sente que alguém lhe imobiliza e com grande força, o aperta para que não se mexa. Este, era o mesmo que os rapazes haviam tido tanto trabalho para carregar.

_ Quero minha armadura de volta! –  diz o outro semi-nu achegando-se com a lâmina em mãos.

_ E eu vou esmagar aquele nanico que me derrubou! –  comenta uma voz grossa, segurando ainda o cativo.

Adiantando-se, o imobilizado rapaz, usa de suas pernas para disferir um golpe naquele que vinha assassiná-lo e posteriormente tenta cabecear o grandalhão, mas sem sucesso, já que o mesmo o apertara com mais força.

Ryan e Darike cruzam as espadas num único e certeiro ataque. Entretanto, suas forças não são as mesmas, já que o anel, mais uma vez falhara com seu usuário, propiciando a queda do jovem.

O gigante, finalmente localiza o ser que lhe fizera desabar momentos antes. E em total fúria, lança seu punho para esmagar tudo ali.

Vitorioso, o impiedoso homem apronta-se para cravar a espada no jovem que está caído a sua frente, mas voltando-se ao céu, percebe o grande membro que desce brutalmente.

De maneira rápida, o general estende a mão em defesa de sua própria vida. E no mesmo instante, todos ouvem um estrondoso impacto acontecer.

O punho da criatura está parado no ar e Darike mostrando finalmente alguma dificuldade, permanece concentrado em conter aquele que pode ser, o fim de sua existência.

Com os olhos fixos naquela impressionante cena, o grandalhão se distrai de seu objetivo anterior. E aproveitando-se da oportunidade, Dollenc crava seus dentes no asqueroso e peludo braço do oponente, fazendo-o urrar de dor e libertar o astuto refém.

Na mesma hora, o rapaz corre em direção ao amigo e ajudando-o a se levantar, aponta o caminho da fuga.

Ambos correm para a liberdade, enquanto Darike se preocupa em bloquear o colossal ataque.Contudo, notando a ausência de seu adversário. O mesmo repara os dois indivíduos que já se encontram há uma certa distância.

Inconformado, utiliza a mão livre na tentativa de trazê-los de volta ao campo de batalha. E para sua satisfação, o mesmo, conseguira aprisionar um dos fugitivos, em sua estranha habilidade.

_ O que houve Ryan? Por que parou? – questiona ao amigo, ao vê-lo ficando imóvel para trás.

_ Não consigo me mexer! Tem algo me impedindo! – exclama desesperado.

Darike parece estar chegando ao limite de suas sobrenaturais capacidades. O gigante aparenta estar disposto a aplicar toda a força para conseguir atingi-lo. E Ryan, incapacitado, tenta ao máximo prosseguir em sua fuga.

“Não sei como você funciona, mas preciso que me ajude” Suplica mentalmente ao anel. Como em imediata resposta, sente encher-se de uma misteriosa, mas agradável energia. E utilizando da mesma, esforça-se em escapar.

Num único e decisivo movimento, o jovem lança seu corpo para frente. Libertando-se da invisível força exercida pelo artefato do oponente.

Insistente, o enfurecido general, tenta novamente paralisá-lo. Contudo, só consegue remover-lhe    a luva direita, juntamente com sua preciosa espada. Deixando à mostra um objeto circular, o qual, emanava um intenso brilho dourado.

_ Não pode ser… Um dos anéis… – sussurra exausto.

Dollenc puxa o amigo para dentro da floresta, onde logo são perdidos de vista.

As espadas tentam combater o grotesco ser, mas sua fúria e resistência são muito maiores do que os gumes das lâminas, que sem sucesso, aplicam inúmeros cortes nos pés da criatura.

Agora, podendo utilizar-se de suas duas mãos, Darike empurra o punho de volta ao céu, o que consequentemente, provoca o recuo do gigante. Posteriormente, fixa seu olhar e força numa das grandes toras que seriam usadas como lenha. E num esboço final de poder, lança-a contra o coração da criatura.

Um esguicho violento de sangue banha diversas das armaduras e um derradeiro berro ecoa, anunciando a morte do imenso adversário.

Árvores tombam, a poeira sobe e um estrondoso barulho avisa. O gigante tivera sua segunda e ultima queda.

Enfim, Darike consegue respirar aliviado, ouvindo os brados em sua homenagem. Entretanto, sua face não demonstra qualquer satisfação. E tudo o que o mesmo faz, é olhar sua espada próxima a luva de Ryan.

Silencioso, ele caminha em direção aos objetos, apanha a arma e  guarda-a na bainha.Posteriormente, segura a parte da armadura deixada e relembra do brilho da esplendorosa joia.

Insatisfeito por não tê-los impedido, soca o solo, transmitindo assim, sua evidente raiva.

_ Senhor, vamos atrás deles? – pergunta um receoso soldado.

_ Não, temos assuntos mais importantes a tratar. Reúnam-se e sigam-me até Alkalia. – ordena decidido.

Entendendo a decisão, o subordinado sai imediatamente, deixando seu comandante aos seus próprios pensamentos.

Já distante dali, os rapazes ainda correm desesperados. Seus corpos avançam dentre a mata fechada e sem saber ao certo que caminha estão tomando, prosseguem em disparada, buscando afastarem-se do perigo.

_ Acha que ainda estão nos seguindo? – pergunta Ryan, enquanto corre.

_ Não sei… Mas é melhor não arriscarmos… – responde ofegante.

Após muito fugirem, finalmente resolvem descansar. Procuram por um local seguro das vistas do inimigo e achando uma série de arvores ocas, os mesmos, adentram uma delas.

Esta, era grande e volumosa, suas raízes secas estavam a mostra. Certamente, havia tombado há muitos anos, pois sua estrutura estava em parte decomposta. Todavia, poderia servir de abrigo, ao menos para aquela madrugada.

_ Dollenc? – chama Ryan, sem qualquer sinal de sono.

_ Hum… O que é? – responde, sentindo os olhos pesarem.

_ Viu o que aquele general pode fazer?

_ Sim. Mal posso esperar pra que você saia por ai, jogando coisas também. – ironiza com um sorriso exausto.

_ Estou começando a achar que os anéis são diferentes… E você?

_ Não tenho a miníma ideia, mas se forem, vamos dar um jeito de encontrá-los assim mesmo.

Um momento de silencio paira no ar e só se ouvem o cantar dos grilos. Incontestavelmente, Darike tinha um dos anéis e com ele conseguia fazer feitos incríveis. O objeto parecia obedecê-lo de boa vontade, ao contrário de Ryan, que mal sabia qual eram as reais capacidades de seu anel.

_ Agora que eu me lembrei, você estava bêbado. – comenta dando uma risada discreta.

Porém, seu amigo nem sequer lhe respondia, seus olhos estavam fechados e sua mente viajava no mundo dos sonhos.

_ Boa noite… – diz compreendendo o cansaço do companheiro.

Sem demora, o sono lhe toma também e ambos agora desfrutam de seus próprios devaneios.

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Deixando as armaduras de lado, os jovens agora caminham depois de um revigorante descanso. Nunca estiveram tão perto da morte e ao mesmo tempo com maior fervor no coração.

_ Se precisamos daquele anel, então uma certa hora teremos de arrancá-lo de Darike, não é mesmo? – questiona Ryan, já imaginando a morte certa.

_ Sim… Mas vamos nos preocupar com ele mais tarde. Afinal, ainda devem existir outros por ai e certamente, mais fáceis de se conseguir. – conclui Dollenc.

_ Se eles fossem tão fáceis, já teriam passado pela mão de muita gente… – rebate o jovem pessimista.

_ Como você reclama, hein? Se até um cabeçudo como você achou um, então não teremos tantos problemas assim. – contra-ataca em meio a um sorriso irônico.

As palavras ditas pelo amigo, serviram para germinar uma pergunta na mente de Ryan. ” Por que este anel estava em sua cidade e não em Casdia, como todos os outros?” Indagava a si mesmo intrigado.

_ Hey! – diz Dollenc, tentando chamá-lo de volta à realidade – Não se preocupe com Darike, eu mesmo irei retirar-lhe o anel! – e bate no peito rindo.

_ Quero ver o que você vai fazer contra a Telecinesia dele. – e já pensa nas varias maneiras do amigo ser trucidado.

_ Tel… O que? – pergunta, sem entender bulhufas.

_ Telecinesia é a capacidade de mover os objetos sem tocá-los. Tipo a Jean Grey do X-Men.

_ Jean? X-Men? Cara, do que você está falando? – e confuso coça a cabeça.

_ Bem… É coisa de onde eu venho. – e sorri discretamente.

Dando um empurrão em Ryan, o rapaz ri da estranheza do mesmo. Mas seu sorriso logo dá lugar a um expressão de surpresa.

_ O que foi? – pergunta Ryan ao vê-lo naquele estado.

Sem dizer uma palavra, Dollenc aponta a causa logo a frente. A bera dum riacho pouco adiante, há uma garota, por sinal desacordada.

_ O que ela está fazendo aqui? – indaga Ryan surpreso.

Dollenc pelo contrário, aproxima-se para observá-la melhor e vendo que a mesma ainda respira, analisa-a de cima a baixo.

Seus cabelos longos e loiros tornam sua face deveras angelical, seus lábios robustos e vermelhos transmitem a cor intensa do amor. Enquanto suas roupas molhadas, deixam claro que aquele belo ser, havia estado até instantes atrás, na água.

_ Quem é ela?

_ Não faço a miníma ideia. Mas ela é linda! – comenta Dollenc, totalmente fascinado pela beleza da jovem.

_ Parece um anjo… – afirma sem jeito.

De repente seus olhos se abrem, mostrando finalmente o verde intenso que possuem. Estes, parecem confusos e aos poucos retornam à consciência. Enquanto seus lábios, umidificam um ao outro.

_ Ela está acordando! – fala sentindo o coração bater mais forte – Olá, eu me chamo Do… – Mas antes que pudesse terminar, sente seu nariz golpeado.

A jovem havia lhe aplicado um soco. Posteriormente, retirou do surpreso rapaz a espada e com ela ameaçava avançar contra ambos.

_ Calma! Não vamos te machucar! – explica Ryan, tentando acalmar a desconhecida.

_ Quem são vocês? O que querem comigo? – exclama totalmente desconfiada.

_ Só queríamos lhe ajudar! Ai meu nariz! – urra Dollenc, sentindo-o inchar.

_ Dollenc, ela tem um anel! – e aponta para a jovem.

Era verdade, aquele se parecia muito com o de Ryan. “Mas o que estaria fazendo com ela? E o que a mesma poderia fazer usando-o?” Pensavam ambos os rapazes novamente surpresos.

Continua…

Breves do capítulo…

Olá, vocês não me conhecem. E de certa forma, neste momento, não há a menor relevância que saibam quem eu sou…

Estou aqui, para dizer o que vejo no futuro em Casdia…

Considerem-me alguém, cujo objetivo é, e sempre será, lhes revelar o que está próximo de ocorrer nesta história…

Com a vitória sobre o gigante, todos os problemas parecem ter cessado para Dollenc e Ryan. Entretanto, o passado virá para acusá-los e desmascarar toda e qualquer encenação.

Vejo a morte de um inocente se aproximando e a cobiça tomar os olhos, de quem poderá vir a ser, o pior dos inimigos…

Espero ter revelado, ao menos um pouco, o futuro incerto que nos aguarda…

Capítulo 7: A queda de um gigante…

Descobertos e sem qualquer arma para o combate, os jovens avançam de mãos vazias contra os dois soldados. Os quais, portando suas espadas atacam sem piedade, buscando desmembrar os invasores.

Mais confiante em suas capacidades, ou melhor, do anel, Ryan investe contra um deles e esquivando-se da lamina afiada, golpeia-o com toda a força de seu punho.

No entanto, seu golpe parece não surtir efeito na armadura do mesmo, que gargalha ao ver a expressão de dor do rapaz.

_ Qual é? – pergunta olhando para o dedo, sem entender o motivo de o artefato permanecer neutro.

Dollenc pelo contrario, prefere medir forças com o outro e agarrando a espada tenta vira-la contra o proprietário, o qual, aceitando o desafio, aplica todo o vigor dos braços em busca de obter a vitória.

Se aproximando do rapaz que geme ajoelhado ao chão, o subordinado continua a gargalhar e levantando o capacete pergunta com um sorriso irônico.

_ Perdão, mas te fiz quebrar uma das unhas moça? – e ri mais uma vez.

Ryan ao ouvir tais palavras se põe de pé em meio a raiva e com um gancho bem colocado no queixo, nocauteia-o de uma só vez.

Surpreso ao ver o companheiro cair desacordado, o rival abre uma brecha, a qual rapidamente é aproveitada por Dollenc, que lhe puxa a arma das mãos e lhe atinge com o cabo da mesma na cabeça.

_ Alguém deve ter ouvido toda essa barulheira e logo teremos companhia. Vamos. – sugere Ryan ao amigo.

_ Espere um pouco, a médium nos disse para seguir por essa direção. Bem, então iremos por ela. – e retira o capacete do inconsciente individuo.

_ Mas você mesmo me disse que seria loucura ir por ali.

_ Não se estivermos disfarçados. – e com um sorriso lança o protetor ao companheiro.

Entendendo finalmente o plano do rapaz, Ryan começa a retirar as partes da armadura de um deles e da mesma forma, coloca-as em si próprio.

As luvas feitas de metal pesado vieram a calhar no momento, já que poderiam esconder o anel de algum olhar curioso. No entanto, o resto não lhe servia muito bem, já que o antigo proprietário era consideravelmente maior, em todos os sentidos.

Para a sorte de Dollenc, seu oponente tinha exatamente a mesma estatura e porte físico, facilitando assim o perfeito encaixe do disfarce. E apesar do terrível odor exalado pela mesma, esta serviria bem ao seu engenhoso plano.

_ Por que eu tenho de ficar com a maior? – pergunta o rapaz, aproximando-se desajeitado.

_ Não temos tempo para os seus chiliques e além do mais, já estamos trajados. – explica colocando a espada na bainha.

Os indivíduos gemem, dando assim um sinal de que breve retomariam a consciência.

_ E quanto a eles? – pergunta Ryan, apanhando a outra arma do chão.

_ Vamos escondê-los dentre os arbustos. – e aponta para a aglomeração de plantas logo ao lado.

Primeiramente decidem levar o grandalhão, cujo peso superava em muito o do outro. Foram necessários ambos os rapazes e um grande esforço para pô-lo no local indicado. Já que o anel, mais uma vez, não estava disposto a cooperar.

_ Qual o problema dessa coisa? – questiona Dollenc sentindo as costas pesarem.

_ Não faço a mínima ideia, sempre que eu mais preciso dessa bugiganga, ela me deixa na mão – e enxuga com a mão a suada testa.

Conversas à parte, resolvem prosseguir com o plano e deixando o segundo deles nos arbustos, certificam-se de que ambos não estão à mostra.

_ Hey, o que estão fazendo ai? – pergunta alguém  se aproximando.

_ E agora? – sussurra Ryan preocupado.

_ Apenas fique quieto e abaixe o capacete. –  diz ele escondendo a face e virando-se.

_ Eu perguntei, por que não estão vigiando seus postos? –  questiona já desconfiado.

_ Viemos aliviar a vontade, estávamos apertados. – explica ao homem.

_ Os dois? –  e os observa estranhando a cena.

_ Você sabe que quando a vontade vem, não da pra segurar. E conversando sai mais fácil. – responde fazendo algum gestos engraçados.

_ Não me interessa como fazem suas necessidades… Agora voltem aos seus postos e se mantenham focados em nosso objetivo. – fala desconcertado, encerrando assim o assunto.

_ Sim. – concordam ambos, deixando rapidamente o local de cabeças baixas.

O individuo os observa desconfiado, principalmente pelo andar de Ryan, que mais parece um pinguim desengonçado andando sobre o fino gelo. Contudo, algo mais estranho lhe chama à atenção. Um tenebroso pé parece brotar dentre a vegetação e como um fruto podre exala um terrível mau cheiro.

_ O que é aquilo? – pergunta já se aproximando dos arbustos.

Ryan e Dollenc se entre olham, receosos de já terem sido descobertos tão precocemente. Enquanto o homem caminha em direção aos dois soldados desacordados e praticamente sem roupa.

_ Mas o que significa isso! – exclama ao perceber os corpos inertes ao chão.

No entanto, antes que pudesse pensar numa segunda ação, o mesmo se vê preso num golpe de gravata dado por Dollenc, que chegou sorrateiramente por de trás do curioso. Ele se debate por alguns momentos, na esperança de se desvencilhar dos braços do espião, mas por fim perde a consciência.

_ Essa situação está ficando cada vez mais perigosa. – comenta Ryan abrindo o capacete.

_ Calma, vamos seguir com o plano. – diz o rapaz deixando mais um corpo camuflado. – Venha, não temos tempo a perder.

Sem expressar mais sua pessimista opinião, Ryan o segue em direção ao acampamento do exército de Ariggon, localizado sobre uma grande clareira no meio da floresta. Eles se aproximam cautelosos, como se pudessem perder as cabeças com um simples gesto errado.

A luz das inúmeras tochas que rodeiam o local, traz a tona as diversas feições e vozes que antes pareciam ocultas. O barulho dos martelos batendo contra as espadas quase prontas, dão uma ideia de que logo haverá uma batalha.

Uma grande fogueira no centro de toda a multidão, esquenta o local. A qual é alimentada por grandes pedaços de madeira, retirados das árvores próximas. Lançando assim, uma nuvem gigantesca de cinzas.

Dollenc deslumbrado por toda aquela agitação, só consegue sentir o calor vindo do fogo. Seu olfato logo é capturado por um cheiro de comida, que parece estar saindo de uma mesa ao longe.

_ Hey, pra onde está indo Dollenc? – pergunta Ryan ao vê-lo mudar de direção.

_ Comer algo, venha! – e se apressa em saciar sua tremenda fome.

_ Não temos tempo! Vamos embora! – pede ele, porém ao tentar se aproximar esbarra num dos soldados.

_ Não olhe por onde não! – brada ele, com a aparência de já estar embriagado.

_ Desculpa… – diz ele temeroso, ao perceber o tamanho do bêbado.

Aproximando-se da mesa, Dollenc já se apressa em pegar um dos suculentos pernis de búfalo e  encher com vinho um canecão de madeira. Os outros parecem nem notar a fisionomia diferente do rapaz, pois estão mais preocupados em fartar-se.

O soldado encara Ryan como se estivesse afim de brigar, porém o jovem cauteloso se afasta aos poucos e já há uma certa distância, encaminha-se para o banquete.

_ Dollenc… – sussurra ao guloso rapaz.

No entanto, seu chamado é ignorado e perdendo a paciência de vez, lhe tira a caneca.

_ Vamos! – exclama, chamando assim a atenção de todos a mesa.

_ Algum problema cara? – pergunta um dos valentões se levantando.

_ Nenhum… não é Dollenc? – e olha temeroso para o amigo.

_ É verdade, vamos sentar e comer! – responde pegando novamente a caneca.

_ Não, nos precisamos… – mas uma agressiva voz o interrompe.

_ Senta logo e come! Ou vou precisar fazer isso por você! – e bate na mesa, balançando desta forma, toda a estrutura.

Sem dar mais um sussurro sequer, o rapaz obedece assustado e sentando-se os observa acanhado.

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O tempo se passa e o coração de Ryan cada vez mais preocupado com o acordar dos três indivíduos abatidos, pulsa avisando que algo trágico se aproxima. E olhando para o companheiro, percebe que o mesmo parece bêbado e bem interagido com os outros à mesa.

_ Foi ai então que ele me perguntou: Não vai me matar?  Daí eu peguei a espada e lhe dei um sossega leão! – narra ele, encenando o que havia ocorrido.

Todos riem com a história contada pelo rapaz e por estarem muito bêbados, nem percebem que ele acabara de lhes dizer que é um fugitivo. Enquanto Ryan já sente as barras frias da prisão num futuro próximo.

_ Isto foi antes ou depois do cara ali desmaiar? – pergunta um deles se recuperando da crise de risos e indicando Ryan.

_ Foi bem antes. Há! Deixa eu lhes contar sobre uma bruxa gostosa que conhecemos mais cedo.

_ Mais cedo? Como assim? – pergunta um deles, estranhando o dito, já que estiveram acampados desde a manhã ali.

_ Dollenc, eles já estão percebendo que não somos daqui… Quer por favor fechar essa matraca. – suplica em seu ouvido.

_ Eles nos amam. Relaxe e beba… Um brinde a Ariggon! – e levanta a caneca, derramando um pouco de vinho na mesa.

_ A Ariggon! – bradam todos os presentes, exceto o preocupado Ryan.

Não longe dali, alguns soldados cortam troncos e mais troncos de árvores, os quais serão usados para a forja de novas espadas e também para alimentar a grande fogueira. Seus machados afiados dilaceram tudo a frente e sem piedade derrubam a vegetação.

As árvores chacoalham e sentindo um leve tremor em seus pés, os soldados paralisam o desmatamento. Todo esse barulho parece ter despertado a ira da natureza.

_ O que é isso? – pergunta um deles, sentindo o tremor se tornar cada vez mais intenso.

_ Não sei, mas seja o que for. Está vindo em nossa direção. – alerta outro.

_ Somos soldados de Ariggon, seja o que for, colocaremos ao chão. – incentiva a todos, puxando a espada.

Um brado retumbante assusta a todos no local. E como um trovão numa forte tempestade, ecoa pelo céu. Seja o que fosse, estava irado e a cada passo se zangava mais e mais.

Com o tombar de duas árvores, a figura sinistra se mostra aos amedrontados homens. E eles percebendo que trata-se de um gigante, correm em direção ao acampamento.

Um passo dado pelo ser, equivalia há inúmeros de um homem comum. E num desses pôde-se escutar o ruir dos ossos de um soldado sendo esmagado.

_ Gigante! Preparem as espadas! – Gritam eles cruzando o local.

O alerta soa e as espadas rapidamente são empunhadas. Ryan no meio de tanta confusão, procura pelo embriagado amigo, que se perdera no alvoroço.

Alguns tentam feri-lo, porém sua pele grossa é como uma dura parede de concreto, que suporta sem nenhuma dor qualquer golpe efetuado.

Num tapa estrondoso, diversos soldados são lançados ao ar, assim como pedaços do próprio solo. Enquanto sua grande boca libera um colossal grito de ódio, ao ver tanta vegetação perdida em meio as chamas.

Muitos fogem temendo pela própria vida, porém uma pequena e bêbada figura chama à atenção do gigante.

_ Você nem é tão grande assim! Desce aqui, que eu te mostro a fúria de minha espada! – exclama Dollenc, ainda que desengonçado pela bebida.

Ryan finalmente identifica o tolo em meio ao pânico geral e sentindo o fim do amigo próximo, corre para tirá-lo da mira do monstro.

A gigantesca mão se levanta, como se preparasse para matar um irritante pernilongo que lhe atormenta. Enquanto Ryan chegando ao amigo, o empurra para o lado. Contudo, sem tempo de esquivar-se, recebe a força do brutal ataque.

Arremessado à mesa de banquete, o rapaz a parte ao meio e tudo que nela continha agora se esparrama ao chão. Sentindo-se leve, o rapaz pensa estar morto e com os olhos ainda fechados tem um leve flash-back, relembra tudo o que vivera.

Amigos, família… Casdia. São as três coisas que tomam seus pensamentos. E em meio ao devaneio ele abre um sorriso conformado.

Dollenc percebendo o que acabara de causar ao estranho amigo, corre desesperado e com os lábios trêmulos só consegue gritar repetidas vezes o seu nome.

_ Ryan! Ryan! Ryan!

_ Dollenc? – sussurra ele, ouvindo o chamado.

Ao abrir os olhos, vê outra vez o céu noturno. Mas como poderia ser? Acabara de levar um impacto incrivelmente maior do que qualquer acidente de carro. Porém, sentia o chão às suas costas e os pés mexendo normalmente. Estava vivo! Mais do que vivo, se sentia imbatível!

Levantando-se, sente a mão pegar fogo e observando o adversário a sua frente, empunha sua espada. Lançando o capacete ao chão, corre seguro de que voltará com a vitória. Enquanto Dollenc, incrédulo no que acabara de testemunhar, apenas o observa agir.

Percebendo a aproximação de mais um pequeno inimigo, o gigante se adianta em tentar esmagá-lo, investindo assim, com um monstruoso golpe de punho. Entretanto, Ryan conseguira evadir-se do ataque com um salto inexplicável. E agora avança pelo membro do gigante, rumo a sua tenebrosa face.

Enquanto isso, o mesmo, apenas observa a poeira que se faz pela forte colisão. Sem notar que o rapaz, já se encontra sobre seus tortuosos ombros e encaminha-se através de um poderoso salto até a sua cabeça.

Os olhos se emparelham por um instante e apesar da diferença de tamanho, ambos se encaram como iguais.

Agarrando a arma do lado contrário, Ryan disfere na fonte da tremenda criatura uma esplendida pancada. Trazendo o gigante ao chão, causando assim, um colossal tremor.

Espantado com o que acabara de fazer, ele nem percebe que o chão se aproxima e em queda livre apenas aterrissa no mesmo, perdendo a consciência.

Dollenc se aproxima do desacordado, sem acreditar que o próprio derrubara um gigante! A euforia dos soldados é instantânea e os brados de vitória ecoam pelo ar.

_ Atenção! – pede uma voz no meio da multidão.

Os soldados começam a se curvar e num efeito dominó, todos se prostram para chegada de alguém. Exceto por Dollenc, que nada entendera e só está preocupado com o parceiro caído.

Uma imponente figura atravessa pelos diversos guerreiros, seus cabelos negros como a noite e seus olhos verdes como a mais preciosa das esmeraldas, são realçados pela esplendorosa  capa vermelha, que lhe cobre a armadura, dando uma certa ideia de quão grande é sua importância e valor.

_ O ilustríssimo general Darike! – anuncia o subordinado.

Todos aguardam ansiosos, e de certa forma, também em meio ao receio, pois conhecem muito bem seu líder e o que o mesmo é capaz de fazer. Com um olhar frio e calculista, apenas os observa e posteriormente ao tremendo ser que se localiza imóvel a sua frente.

_ Quem fez isso? – pergunta em alto e bom tom, num ar imperativo.

Ao ouvirem à pergunta eles abrem espaço, para que seu superior finalmente tenha em sua visão dois rapazes. Dollenc permanece quieto e apenas o encara com o olhar. Enquanto Ryan, ainda que confuso, desperta para o alívio do amigo.

_ Ryan, tudo bem? – pergunta, ajudando-o a se levantar.

_ Acho que sim. Nossa, você viu? –  e abre um sorriso, ao relembrar da batalha de agora a pouco.

_ Sim, esse anel é formidável –  responde, quase como um sussurro.

Era verdade, não haviam mais duvidas de que aquele objeto circular tinha grandes capacidades e principalmente mistérios. Contudo, o sorriso de Ryan se desfaz ao perceber que o companheiro estava sério e focado em outra direção.

Voltando seu olhar para a mesma reta, percebe que são observados. Em especial por Darike, o qual permanece em silêncio e lentamente caminha ao seu encontro. O que deveria fazer a seguir? Se preparar para um combate? Ou mesmo se prostrar em respeito? Sem se decidir, apenas permanece imóvel.

A cada passo dado por Darike, os seus subordinados se afastam em reverência e finalmente chegando até os rapazes, abre um sorriso suspeito.

_ Então, foram vocês que derrubaram o gigante? –  pergunta, demonstrando estar surpreso.

Dollenc com um olhar discreto, aponta o amigo ao lado e ajoelhando-se tenta manter as aparências.

_ Posso saber seu nome, jovem soldado?

_ Me chamo Ryan, senhor… –  e também se prostra. Porém, antes que terminasse a ação, sente a mão de Darike sobre seu ombro.

_ Levante-se, pois qualquer um que tenha feito algo dessa magnitude, merece ser tratado como um igual. –  e retirando a mão de seu ombro, estende-a para comprimentá-lo.

Alguns cochichos são ouvidos dentre a multidão, mas logo o silêncio volta a habitar no ambiente. E o único som ouvido por alguns instantes, é a grosseira respiração do gigante.

_ Quem dera eu ter mais uma dezena de soldados assim, corajosos! Seguros! Vorazes! – comenta ele, como se estivesse dando um sermão nos demais ali.

_ Por esse motivo fui chama-lo senhor. Tenho certeza de que derrubaria esse e mais cem gigantes num só movimento. –  fala o adulador se aproximando.

_ Não… Você fugiu com medo de perecer! Assim como grande parte destes inúteis! –  brada inconformado.

_ Está enganado meu senhor, eu só… –  mas antes que pudesse prosseguir com suas desculpas, sente seu pescoço sendo enforcado.

Darike está com uma das mãos estendidas e em seu dedo brilha um artefato parecido com o de Ryan. Seria um dos valiosos anéis que os rapazes procuram? Essa pergunta ecoa pela mente de ambos os jovens, que apenas observam à cena.

_ Eu nunca me engano… –  e fechando o punho, parece estar provocando o que o subordinado sente.

No entanto, ninguém estava por perto. Uma força sobrenatural e invisível asfixiava-o e nada podia fazer para se libertar.

_ Misericórdia, grande Darike… –  e expelindo sua ultima suplica, cai morto ao chão.

Continua…

Capítulo 6: A médium de Geedeon…

O coração bate acelerado e os pulmões trabalham ao máximo na esperança de obter algum ar que seja. A morte lhe parece próxima e não lhe resta nada o que fazer, senão, aguarda-la em meio ao desespero.

Confuso, Dollenc o observa definhar. Será que seu destino é perder todos aqueles dos quais se aproxima? Seus pais, o velho Sebastian e agora o estranho amigo?

Voltando a raciocinar, deixa seus pensamentos e duvidas sumirem no subconsciente. Afinal, cada segundo de demora é um momento a menos para salvar Ryan.

O veneno voraz lhe percorre o corpo, que em resposta luta incessantemente pela vida e como resultado de tal batalha a dor cresce cada vez mais.

_ Calma, não vou deixá-lo morrer – diz Dollenc o pondo sobre as costas.

Embora Ryan fosse quase de seu tamanho, ele o levava sem problemas. Sua estadia nas minas lhe servirá para construir braços fortes e resistentes, assim como o treinamento que fizera sozinho em busca de se tornar um guerreiro.

Determinado prosseguia pelo caminho, o qual tinha certeza de que o levaria até o vilarejo de Geedeon. Um lugar calmo e pacato onde ficou por alguns meses depois de fugir pela primeira vez.

Talvez pudesse encontrar um ministrador de antídotos, afinal, nesse tempo em que saiu dali muita coisa deveria ter mudado.

Notando que o companheiro está quieto, Dollenc já cogita ter de enterrá-lo também. No entanto, verificando sua respiração constata que este está apenas inconsciente.

A determinação do jovem em ajudar o companheiro, de certa forma lhe dá mais garra para prosseguir até seu objetivo e em pouco tempo já avista as varias casas humildes de Geedeon.

Tudo parecia estar exatamente como no passado, porém aquelas pessoas alegres e hospitaleiras que antes conhecera, agora possuíam em seus olhares somente a tristeza.

Alguns curiosos comentam sua chegada, outros apenas o observam, porém Dollenc sem se intimidar pelos olhares resolve pedir por informação.

_ Vocês tem algum ministrador de antídotos aqui? – e os olha esperançoso.

Eles apenas cochicham entre si, como se desconfiassem da aparição repentina.

_ É o meu amigo, ele foi picado por uma cobra e está passando mal – explica-os colocando Ryan no chão.

Uma mulher dentre a multidão se aproxima e ainda que temerosa, examina o rapaz deitado. Após alguns instantes se levanta e voltando ao local de onde saiu lhe da sua opinião.

_ Não há nada o que fazer, ele morrerá em pouco tempo. – Diz ela ao jovem desesperado.

_ Como assim? Você só deu duas ou três olhadas. Como pode estar tão certa disso?

_ Não há ministrador de antídotos aqui, o mais próximo fica a dois dias de viajem e até lá seu amigo já estará morto. – responde-o decidida.

_ O que… Dois dias… Mas deve haver outro jeito! – reluta Dollenc.

_ Pode levá-lo até Éden. – sugere um homem se aproximando.

_ Éden? Quem é? – questiona-o já esperançoso.

_ Aquela charlatã! Essa tal de Éden só sabe enganar os tolos como você! – implica uma mulher que parece saber do que fala.

_ Talvez ela possa ajudá-lo, ouvi dizer que ela tem dons incríveis! –comenta outra voz na multidão.

_ Desde quando enganar trouxas é um dom? Ela passa de lugar em lugar ludibriando o povo para conseguir dinheiro! – afirma outra pessoa.

Um grande tumulto se forma. Alguns a favor da famosa mulher, outros a apontando como serva do próprio demônio.

Dando-se conta de que a discussão não o levaria a lugar algum. Dollenc se adianta e puxa de lado o homem que lhe aconselhara.

_ Por favor, nos leve até essa tal de Éden… – e coloca o amigo novamente nas costas.

_ Tudo bem, siga-me. – e adentra um beco qualquer.

O homem permanece em silêncio, enquanto guia-o por entre as estreitas passagens.

Um odor pesado toma conta do lugar, contudo, sem dizer nada Dollenc continua seguindo-o.

Instantes depois o velho aponta o que parece ser uma tenda montada às pressas. A qual era feita de madeira e recoberta de panos de diferentes tonalidades de cores.

_ Bem, boa sorte com seu amigo – diz o senhor se despedindo.

_ Obrigado – e já se apressaem levar Ryanao local indicado.

Adentrando ao misterioso ambiente, logo se depara com vários frascos com coisas das quais nunca havia visto, enquanto o cheiro forte de incenso impregna seu nariz.

Ryan volta a passar mal por alguns momentos, mas logo retorna ao seu estado anterior.

_ Tem alguém ai? – pergunta Dollenc pondo o amigo no chão.

O silêncio é quebrado por um barulho, o qual lembra moedas caindo e logo uma mulher deveras atraente aparece em meio à escuridão.

Seus pulsos recobertos de adereços combinam com o lenço cintilante que traz em seu pescoço, assim como seus olhos pretos e penetrantes contornados por uma sombra purpura, tornando-a ainda mais atraente.

_ Desculpe ir entrando desse modo, mas me disseram que a senhora poderia me ajudar. – explica Dollenc sem jeito.

_ Depende… No que necessariamente eu posso ajudá-lo meu… Belo jovem? – pergunta a mulher se aproximando cada vez mais.

_ Errr… Eu preciso que… Que… – porém ao vê-la ao seu lado e acariciando os seus braços não consegue responder.

_ Qual o problema? Está tão… Tenso. – e massageia seus ombros robustos.

Dollenc parecia hipnotizado pela estranha. Tudo com o qual estava preocupado tinha perdido a importância e o que lhe interessava naquele momento era admirar aquele belo ser.

No entanto, ao olhar rapidamente ao chão percebe o amigo que permanece desacordado e lembrando-se do motivo de estarem ali seguras às mãos da carinhosa anfitriã.

_ A ajuda não é pra mim e sim pra ele. – e aponta o rapaz.

_ Certo… Vejamos… – e ainda que meio decepcionada, se encaminha até Ryan.

_ Ele não tem muito tempo, foi… – mas ela o interrompe.

_ Picado por uma cobra, entendo…

_ Como sabe?

_ Eu sei de muita coisa… Dollenc… – e sorri sem perder a sensualidade.

Os boatos parecem ser reais e o jovem ansioso aguarda que a mulher termine de examinar seu amigo.

Suas mãos percorrem o corpo de Ryan e sem mesmo tocá-lo parecem desvendar sua alma.

_ Hum… Que pena… – e se levanta.

_ O que foi?

_ Meu antídoto para a espécie de cobra que picou seu amigo acabou… – e pega um por um os frascos do lugar.

_ Acabou? Mas e agora?

_ Bem… É uma pena mais… Aquele admirável jovem está perto da morte. Deve ter mais um minuto de vida e olhe lá.

_ Disseram-me que você poderia ajudá-lo, deve haver algo que possa fazer.

Com um sorriso malicioso, a mulher analisa Dollenc e por alguns instantes ele consegue até imaginar seus pensamentos sujos.

_ Vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada… Lindinho – e pincela o dedo na boca do visitante.

Se abaixando novamente, coloca as mãos sobre o rapaz e fechando os olhos recita algumas palavras estranhas.

Contudo, antes que prosseguisse, é interrompida por um brilho dourado que percorre a mão direita de Ryan e logo se espalha por todo o corpo.

_ O que você fez? – pergunta impressionado.

_ Nada! Eu nem sequer cheguei a tocá-lo. – reponde-o perdendo finalmente a postura sensual.

A estranha fonte de luz que cobre o corpo do rapaz ilumina o local e receosa a mulher se afasta do mesmo. Após alguns instantes o clarão cessa e Ryan finalmente desperta já recuperado.

Ainda que atordoado, se levanta do chão de terra, causando espanto a ambos que o observam.

_ Ryan? Está tudo bem? – pergunta Dollenc.

_ Hã? Acho que sim… – responde-o tirando a terra dos braços.

_ Mas o que está havendo aqui? Deixe-me ver seu ferimento rapaz. – ordena ela estendendo sua mão.

Ryan resolve atender ao pedido da estranha e se aproximando levanta a manga da camiseta. Entretanto, a marca de mordida que antes se alastrava pelo seu braço e o fazia inchar, agora não passava de uma pequena e quase imperceptível cicatriz.

_ Mas o que significa isso. Não pode ser… – sussurra ela espantada.

_ Hey Dollenc, onde estamos? – e observa os vários objetos estranhos ao seu redor.

_ Um vilarejo chamado Geedeon e essa mulher é uma espécie de… – mas não consegue achar um termo que defina a estranheza de suas habilidades.

_ Médium! – corrige-o – Mas, ainda não entendo como esse rapaz está de pé.

Os dois apenas a observam caminhar de um lado para o outro em busca de uma resposta para a recuperação de Ryan.

_ Como pode? A não ser que… – e analisa o rapaz de cima a baixo.

Aproximando-se novamente, ela o examina da cabeça aos pés e notando sua mão enfaixada abre um sorriso de entendimento.

_ Tire isso da mão.

_ Mas por quê? – reluta apreensivo.

_ Eu disse, tire isso de sua mão! – ordena certa de que a resposta está ali.

_ Não enrola Ryan, é só uma queimadura! – diz Dollenc agarrando a mão do amigo.

_ Espera, eu não quero. – e tenta pensar numa desculpa convincente.

Sem se importar com o que o rapaz diz, Dollenc retira a força o pedaço de pano sujo e se surpreende ao descobrir que há um anel ali, ao invés de uma marca feita pelo fogo.

_ O que… Será que é mesmo o que eu estou pensando? – exclama a mulher ao identificar o objeto.

_ É um anel… Ryan, por que mentiu pra mim? – pergunta o amigo sem entender nada do que se passa.

_ Um dos anéis… Achei que nunca chegaria a ver um deles – e sorri deslumbrada.

O silêncio toma todos os que estão ali, Ryan apenas tenta entender o que a estranha sussurrara, Dollenc permanece confuso procurando um motivo para que o amigo lhe esconde-se algo tão comum e a Médium continua imóvel admirando o artefato.

_ Isso explica tudo! Ora, mas eu não sabia que você estava com um deles… – e ri chegando mais perto.

_ Um deles? Não consigo entender do que está falando. – e observa a própria mão.

_ Ora, estou falando do anel que usa em seu dedo.

_ O que esse anel tem de mais? – pergunta Dollenc sério.

_ O que ele tem de mais? É só um dos mais preciosos tesouros que háem toda Casdia. Poracaso não sabiam disso? – questiona-os inconformada.

Ambos permanecem quietos e ela entendendo o desconhecimento dos rapazes, resolve explicar a situação.

_ Não há muito que se saiba sobre eles, mas cada qual dessas relíquias da o poder a quem os possui de fazer o inacreditável.

_ Espera um pouco ai, aquelas coisas estranhas que eu vi você fazendo, eram por causa disso? – pergunta Dollenc ao amigo.

_ Eu não sei… Acho que sim.

_ E como você o conseguiu?

_ Encontrei-o num buraco e tenho quase certeza de que foi ele que me trouxe aqui.

_ Aqui? Como assim jovem? – questiona a mulher.

_ Não sou de Casdia. Moro num lugar diferente chamado Hopewell. Mas não sei como voltar, entende? – e suspira conformado.

_ Hey, você nos disse que era uma… – comenta Dollenc tentando se recordar da estranha palavra.

_ Médium! – completa ela zangando-se.

_ Isso mesmo, não poderia ajudá-lo a descobrir qual é o caminho de casa?

Ainda que estivesse embravecida e perplexa com toda a situação que assistira, concorda em ajudar o perdido forasteiro. E colocando a mão sobre os próprios olhos, entra numa espécie de transe.

Aos poucos a temperatura do ambiente abaixa e vozes vindas do nada ecoam em meio ao local. Estas sussurram palavras estranhas, as quais parecem ser compreendidas pela mulher, que ao abrir os olhos, lhes lança um sorriso de entendimento.

_ A resposta para o caminho de casa está em sua mão, meu jovem. – E aponta o objeto em seu dedo.

_ Como assim, está no próprio anel… Não entendi nada.

_ Busque estes objetos e encontrara o que procura. Foi o que as vozes me disseram a respeito.

_ Essas “tais vozes” não poderiam ser mais claras? – pergunta Dollenc perdendo a paciência.

_ Não insulte o que não conhece rapaz! Eu sou apenas um instrumento que interpreta o que os espíritos têm a dizer. Se não quer dar ouvidos, não há mais nada que eu possa fazer. – e já indica a saída.

_ Espere! Peço desculpas pelo Dollenc. Mas você não poderia tentar entende-los um pouco melhor? – pergunta Ryan em tom de respeito.

_ Certo… – e volta a repetir a estranha ação.

Novamente as vozes surgem em meio ao ar gelado. Estas por sua vez parecem nervosas e chegam até mesmo a gritar. A médium sério apenas escuta o que as mesmas proferem.

_ Elas dizem… Que sua vinda até aqui não é um mero acidente… Dizem para você buscar os anéis e eles te mostrarão a saída.

_ E como encontra-los? 

_ Eles… Não sabem… A energia dos anéis impede que localizem seus paradeiros…

_ O que devo fazer quando acha-los?

_ Só pedem para que os reúna – responde ela aparentando pânico.

As vozes aumentam seu tom cada vez mais e os frascos que antes estavam imóveis, agora chacoalham, como se um terremoto atingisse o local.

Sem se importar com o que acontece ao seu redor, Ryan pensa no que mais deveria perguntar à mulher e tendo uma súbita recordação, decide qual a próxima pergunta.

_ Pergunte-os, qual o paradeiro de Alliel, filho de colonos – porém as vozes bradam enfurecidas.

Com o barulho infernal parecido ao de trovoes, os frascos se quebram e se espalham pelo chão. Uma rajada de vento levanta os tecidos que cobrem a tenda e assustados ambos os jovens se abaixam.

Voltando a si, ela respira aliviada, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo.

_ O que houve? – pergunta Dollenc se levantando.

_ Os espíritos se enfureceram com tantas perguntas. – explica-os ainda tremula.

_ Mas e quanto a minha pergunta final? – questiona Ryan segurando-a para que não caia.

_ Desculpe… Mas só pude ouvir uma palavra… Escolha. Faz algum sentido?

_ Escolha? Não, e pra você Dollenc?

_ Não faço a mínima ideia do que possa significar. Não pode pedir para que repitam a ultima parte?

_ Eles não são brinquedos! – e lhe aplica um cascudo. – Já abusei demais do conhecimento deles por hoje.

Desvencilhando-se das mãos de Ryan, se encaminha para dentro da escuridão.

_ Mas ainda tenho muitas perguntas – reluta ao vê-la indo.

_ Procure pelos anéis e obterá as respostas que anseia.  Pelo que pude ouvir você terá um futuro grandioso rapaz, alias, os dois terão. – e volta a sorrir sensualmente para Dollenc.

_ Pode nos dar ao menos uma direção a seguir? – pede o corado rapaz.

 _ Sigam em direção ao sol, ele iluminara os seus caminhos. – e sem responder a mais nada, a misteriosa mulher desaparece em meio às sombras.

Deixando a tenda, Ryan e Dollenc caminham em direção à estrela do dia. Sem saberem ao certo para onde tal caminho os levara.

_ Escolha… – sussurra o jovem a si próprio.

_ Hã? O que disse? – pergunta o amigo.

_ Estava pensando sobre o que a médium me respondeu sobre o Alliel.

_ Ah, o lance da “escolha”… Esquece isso, afinal, nos temos um futuro grandioso. – e ri ironizando as palavras ditas por Éden.

_ Hey, eu queria me desculpar por não ter te dito nada sobre o anel. Mas é que eu fiquei com medo, por causa da lei de Ariggon, entende? – explica arrependido.

_ Tudo bem, não costumo guardar rancor. Mas por que não o tira?

_ Ele não sai, está grudado ao meu dedo.

_ Isso explica a faixa…

O caminho ainda que incerto, parecia calmo e sem perigo algum. Ambos andavam conversando com seus próprios pensamentos. Dollenc imaginando o tal futuro grandioso que virá a ter e Ryan tentando entender o motivo de ser ele a encontrar o precioso artefato.

Sentia falta de seu computador, onde passava horas conversando com os amigos pelas redes sociais. De sua cama, a qual sempre lhe acomodara nos dias tristes, em que as lagrimas tomavam seus olhos. Sua mãe Helena, que sempre fez das tripas coração, para que o sorriso volta-se aos seus lábios. E seu pai Rick, que apesar de ausente, sempre fora seu maior super-herói.

Queria poder mostrar a eles este mundo tão diferente. Chegou até a imaginar Sarah comendo uma Axpria. Porém, na situação em que se encontra, teria sorte se ao menos pudesse voltar a vê-los um dia.

Sua única chance estaria em encontrar os anéis. Mas onde os mesmos estarão? Num lugar tão grande como este, seria possível encontrar objetos tão pequenos?

Dollenc pelo contrario, pensava num modo de libertar todo esse povo, o qual sofre há tantos anos pela cobiça de Ariggonem unificar Casdia. Seráque seu futuro é este? Ser um salvador ou mesmo um justiceiro que trará liberdade aos oprimidos.

Por alguns instantes, deixa sua imaginação ganhar os ares e assim almejar o que antes parecia impossível. Não sabia se ao certo faria mesmo tudo aquilo, mas tinha certeza de uma coisa. Tudo isso estava relacionado com o estranho amigo e seu misterioso anel.

À noite chega sorrateiramente e como um ladrão rouba o clarão do dia. As estrelas enfeitam o azul, como acessórios de uma árvore em pleno natal.

As pernas cansadas imploram por uma parada e os estômagos vazios gemem por alimento. A escuridão da floresta oculta seus habitantes e apenas os sons de sapos e grilos ecoam em meio ao silêncio.

_ Eu comeria até os brócolis cozidos da minha mãe nesse momento. – comenta Ryan com a mão na barriga faminta.

_ Achei que a médium tinha dito que este anel te permitia fazer o inacreditável. Por que não invoca um banquete?

_ Acho que ele não faz isso, Dollenc. – e fita o objeto em sua mão.

_ Hey, será que os outros anéis também te dão o poder de lançar guardas na parede?

_ Eu tenho cara de vidente? Como eu vou saber…

_ Médium! – corrige-o ao se lembrar de Éden.

_ No momento, eu só queria um hambúrguer. – diz sentindo a água minar na boca.

_ Hangbug o que? Já vai começar com as esquisitices… – e sorri ironicamente.

_ É coisa de onde eu venho… – e retribui o sarcasmo.

_ Bem, não sei o que é esse tal de hangbug. Mas estou aceitando até pedra no momento.

_ Bom apetite. – e lhe entrega um fragmento que achara no chão.

_ Sem graça… Vamos procurar algo pra comer.

_ Certo. – e se levanta do solo

Sem sequer uma tocha para iluminar o caminho, ambos prosseguem por entre os arbustos. A falta de sons lhes permite escutar os próprios passos, que sorrateiros tentam não chamar atenção.

As folhas os tocam dando a sensação de que algo anda por suas costas, o luar é a única fonte de claridade que os rapazes têm para procurar por alimento.

Ryan sente algo deslizar por entre suas pernas. Será aquela cobra outra vez em busca de um segundo round? Permanece imóvel por alguns momentos, na esperança de que a mesma o deixe em paz.

A sensação finalmente passa e seja o que fosse, deveria ter sumido dentre a vegetação.

_ Anda logo. Ou vai se plantar ai? – questiona-o sem paciência.

_ Já vou. Achei que tinha sentido alguma coisa.

_ Pois eu sinto fome… – e antes que prosseguisse reclamando se depara com uma espécie de luz à sua frente.

Ao se aproximarem, percebem que dois soldados conversam distraídos e uma tocha cravada ao chão ilumina uma pequena clareira.

_ O que faremos? – pergunta Ryan ao amigo.

_ Vamos derrubá-los, afinal, são só dois. – e já prepara para o ataque.

_ Hey, espere! Não são apenas dois… Olhe de novo. – e indica a grande aglomeração de tochas a alguns metros depois.

Um verdadeiro exército acampa naquele local, mas o que estariam fazendo ali. De certo se armando para alguma próxima conquista de Ariggon.

_ Aquela louca nos mandou pra um exército? Ótimo, vamos embora daqui.

_ Mas ela disse pra seguirmos por aqui Dollenc. – reluta Ryan.

_ Não, ela disse para seguirmos o sol e no momento você vê algum sol aqui? – e já se apressa em voltar.

_ Ok, mas algo me diz que essa não é uma boa idéia.

_ Chega desse lance de têm algo me dizendo, você não é a Éden. Agora vamos.

Não muito convencido, o rapaz concorda em voltar e procurar um outro caminho. Porém, ao dar o primeiro passo esbarra numa pedra.

_ Merda! – exclama ele.

_ O que foi isso? – questiona um dos soldados.

_ Veja, tem alguém ali! – informa o outro.

_ Droga Ryan… – e volta para socorrer o companheiro.

Ambos são identificados pelos homens que já se armam para o combate. E sem alternativa os rapazes decidem enfrentá-los.

Continua…